1 linguiça, ½ paio, 1 punhadinho de feijão

Solteiro come feijoada? Come quando é convidado por alguém ou no restaurante, pois é prato para batalhão. Por isso resolvemos fazê-la para um. Descobrimos que não é tão incomum quem resolve cozinhar uma feijoada só para si. Numa pesquisa informal em feiras e supermercados, os comerciantes contam que há quem peça "uma linguiça", "meio paio" e "um punhado de feijão".

Olivia Fraga, O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2010 | 03h36

A chef Gabriela Martinoli se uniu com solteiros vizinhos e fez pressão na feira livre para que os vendedores abrissem mão do "é dois por R$ 1" e topassem negociar a unidade. "Viram que havia demanda e mudaram."

No Master Supermercados, conhecido por ser muito frequentado por solteiros, a feijoada pronta vendida aos sábados é tão procurada pelos solteiros que moram na região que a vendedora sabe de bate-pronto quanto servir. "É pra um só? Então são 250g, com carne e tudo."

Raphael Despirite, chef do Marcel, mora sozinho desde 2007, mas nunca se sentiu credenciado a arriscar uma feijoada em casa. "É comida para mais gente, né?", disse, ao ouvir a proposta para fazer uma porção de feijoada - nada de fazer a mais e congelar o resto. "Espero que dê certo o improviso."

E é essa a arma fundamental de quem cozinha para si: improvisar. Raphael está acostumado a jantar tarde da noite no restaurante. Quase não cozinha em casa. Mas adotou a prática de deixar feijão cozido na geladeira para não passar fome no fim de semana. Na despensa, meio pacote de farinha de trigo, outro de macarrão, nada mais.

Para a feijoada, comprou uma peça de cada carne. "Na feira eu consigo comprar menos, mas aqui no mercado só tem pacote com dois", resmungou. De olho no almoço do dia seguinte, disse que iria aproveitar o excesso de linguiça para fazer uma tortilla, ou um risoto, ou um molho "para usar o pacote de macarrão sobrando em casa."

De volta ao fogão, experimenta cozinhar as carnes junto do feijão, "para ganhar tempo". Também por isso, usou apenas carnes defumadas, não salgadas. Nada daquela trabalheira de dias trocando a água.

O caldo grosso obtém com o cozimento do feijão, intercalado por fogo desligado e minutos de espera. "Primeiro deixo o feijão ferver por 15 minutos; depois, desligo e espero. Mais tarde, cozinho em fogo baixo por 40 minutos, e é nesse tempo que o feijão começa a amolecer e criar um caldo consistente. O calor do cozimento lento completa o serviço."

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