15 bilhões conectados à web em 2015

Intel aposta em pequenos dispositivos de acesso à internet e lança novo chip

Otavio Dias,

25 Agosto 2008 | 00h00

A Intel, maior fabricante de chips para computadores do mundo, aposta que a internet se tornará onipresente na próxima década e conectará não apenas pessoas, como também nós a equipamentos e objetos. "Em 2015 teremos 15 bilhões de dispositivos conectados à internet, dez vezes mais do que hoje", afirmou Pat Gelsinger, vice-presidente da empresa, no primeiro dia do Intel Developer Forum (IDF), principal evento anual da empresa na semana passada em San Francisco. Diante dessa perspectiva de crescimento exponencial da rede, a Intel resolveu jogar suas fichas – e seu peso – em um novo tipo de equipamento: os MIDs ("mobile internet devices", dispositivos móveis para a internet). A empresa – que não fabrica equipamentos e sim componentes eletrônicos e softwares de apoio aos desenvolvedores – também está estimulando seus parceiros na indústria de tecnologia a desenvolverem notebooks de pequeno porte e baratos, os chamados netbooks, voltados para o acesso à web e que deverão custar no máximo US$ 300 (nos EUA). No Brasil, os primeiros notebooks como o Mobo, da Positivo, e o EeePC, da Asus, estão na faixa de R$ 1 mil, mas o preço tende a cair. Os MIDs são equipamentos superportáteis, que acessam a internet de forma fácil e rápida e permitem realizar diversas atividades que caracterizam a web 2.0, como fazer textos, fotos e filmes e postá-los imediatamente em blogs e redes sociais. A estratégia da Intel baseia-se no fato de que a internet, com a explosão das redes sociais como MySpace e Orkut, cada vez mais é feita pelos próprios usuários. "A internet é apenas um bebê, que vai crescer e mudar muito à medida que milhões de pessoas contribuírem com inovações", disse Dadi Perlmutter, diretor do Grupo de Mobilidade da empresa. A Intel não inventou os tais MIDs. Afinal, o mais famoso deles é o iPhone, da Apple, lançado em 2007. Vários celulares de marcas como Nokia e Samsung, assim como consoles portáteis de videogames, já acessam a rede sem fio e permitem realizar várias atividades online. O que a Intel pretende – e os resultados já puderam ser vistos durante o IDF 2008 com a proliferação de novos modelos e protótipos – é acelerar o desenvolvimento desses equipamentos, com base em um equilíbrio entre desempenho e baixo gasto de energia. Outro fator essencial para o sucesso dos MIDs e netbooks é a capacidade de se conectarem à internet a qualquer hora e em qualquer lugar sem a necessidade de fios. Notebooks já se conectam à rede via Wi-Fi há anos. como celulares e smartphones, através darede de telefonia celular. Os celulares 3G já transmitem dados em velocidade próxima à da banda larga. A tendência, em médio prazo, é que cidades inteiras terão conexão à internet sem fio, com tecnologias como WiMax (um Wi-Fi mais amplo e veloz). À medida em que a conexão sem fio se tornar onipresente, cada vez mais pessoas, principalmente jovens, estarão conectadas à internet 24 horas por dia – e precisarão de dispositivos pequenos, resistentes, econômicos – além de atraentes e repletos de funções. Essa visão exposta com tanto barulho no IDF não é exclusividade da Intel, já que outros grandes players da indústria de tecnologia – como a concorrente direta da Intel, a AMD (mais informações na pág. L2) – estão carecas de saber. Acontece que a Intel, com cerca de 75% do mercado de microprocessadores para computadores e parceiros em todas as áreas da indústria, tem poder para alavancar esse mercado como poucos e parece disposta a fazer isso. Para atingir seu objetivo, lançou no primeiro semestre um novo chip, chamado Atom, que é bem menor (tem duas vezes menos componentes) e gasta até dez vezes menos energia (por enquanto), sem perder a eficiência (para realizar as tarefas a que se propõe). O Atom, baseado na arquitetura x86, a mesma dos demais chips da Intel, é compatível com todos os softwares e aplicativos desenvolvidos pela empresa e seus parceiros. Permite rodar sistemas operacionais proprietários (como o Windows) e livres (como o Ubuntu). Assim, o usuário terá, nestes dispositivos portáteis, uma experiência de navegação muito semelhante à que costuma ter em notebooks e desktops. Os netbooks que já estão chegando às lojas têm, em geral, tela de 8 a 10 polegadas e bateria com duração de pelo menos 4 horas. Já os protótipos de MIDs têm telas com cerca de 7 polegadas e autonomia de cerca de 8 horas. Deverão custar em torno de US$ 600, embora o preço seja determinado pelo fabricante. Outra evolução que contribui para a ultraportabilidade dos netbooks e dos MIDs é a substituição dos discos rígidos (HDs) por discos sólidos (SSDs), que são mais resistentes a quedas, consomem menos energia e permitem acesso rápido aos dados (mais informações na pág. L2). Os novos dispositivos não precisam arquivar grandes quantidades de informações, que são acessadas online. Já a declaração de Gelsinger, no início do texto, sobre o fato que, no futuro, não só as pessoas, mas também as coisas, farão parte da internet, não é uma idéia nova. Em 2005, a International Telecommunication Union divulgou, durante a Cúpula sobre a Governança da Internet em Túnis, um relatório chamado exatamente "A Internet das Coisas" (http://tinyurl.com/internet-das-coisas). Quando objetos e equipamentos usados no dia-a-dia estiverem equipados com microprocessadores, eles poderão se comunicar entre si sem a mediação humana. Por exemplo: um carro poderá "alertar" outros carros que vêm atrás sobre um acidente, evitando engavetamento. Além disso, essa disseminação de microprocessadores permitirá que cada um de nós, por meio de dispositivos muito pequenos, receba informações relevantes o tempo todo – é a chamada contextualização digital. O surgimento de chips menores, mais econômicos e potentes abre caminho para a proliferação de dispositivos móveis conectados entre si via internet. Mas, para os mundos real e virtual se unirem num nível mais profundo do que o que experimentamos hoje, a internet sem fio precisa ficar mais presente e acessível – até mesmo gratuita. O calcanhar-de-Aquiles para a concretização dessa visão é a conectividade total. "Quando cidades e países inteiros estiverem cobertos por WiMax, esses dispositivos vão estar nas mãos de todo mundo", disse Anand Chandrasekher, vice-presidente e diretor do Grupo de Ultramobilidade da Intel. A tecnologia está aí, faltam determinação e investimentos. Com a palavra, as autoridades públicas e a iniciativa privada. O jornalista viajou a San Francisco a convite da Intel Novidades do IDF 2008 - I Novidades do IDF 2008 - II

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.