20 coisas para você fazer antes que 2011 termine

Você já decidiu: em 2011 vai fazer ioga, aprender chinês, casar... O Paladar colabora com outras sugestões.

30 Dezembro 2010 | 08h08

Se depender da equipe do Paladar, que se reuniu para pensar em ideias gastronomicamente interessantes para 2011, seu ano será, no mínimo,saboroso.Não esperamos que você incorpore todas as nossas sugestões à sua "todo list"- bem, não seria má ideia.Mas esperamos que você aproveite algumas e programe seu ano gastronômico.

Torcemos para que no próximo ano você possa visitar o restaurante dos seus sonhos, tirar da gaveta aquele projeto de equipar melhor a cozinha de casa, ou montar uma adega.E não se preocupe:

nem tudo que sugerimos depende de grandes investimentos. Seu ano já será mais gastronômico se você cultivar ervas aromáticas numa floreira, comprar ingredientes direto do produtor, cultivar

fermento em casa ou ler tudo que puder sobre chocolate, com direito a reunir os amigos para degustações. Nesta e nas três páginas seguintes estão nossas 20 sugestões para tornar seu ano gastronômico inesquecível.

 

 

 

1   Faça uma viagem gastronômica guiada por Anissa Helou 

Já imaginou ser apresentado aos sabores do Oriente Médio por uma chef e escritora sírio-libanesa? Duas vezes por ano, Anissa Helou, filha de pai sírio e mãe libanesa, organiza viagens gastronômicas para a Síria e outros países do Oriente Médio, como Líbano e Irã. Conhecedora da culinária árabe, ela guia um pequeno grupo a restaurantes e mercados em meio a uma miríade de vendedores de comida de rua, provando o que a cidade tem de melhor.

A viagem de oito dias começa em Damasco, onde estão programados jantares em bons restaurantes,uma visita ao melhor confeiteiro da capital, especialista em baklava, e um passeio pelo Souk al-Tanabel, entre outros mercados. Em Palmira, o destaque é um jantar beduíno no deserto,com vista para as ruínas da antiga cidade romana. O roteiro inclui Alepo, que faz parte do Patrimônio Cultural da Unesco e é considerada a capital gastronômica do Oriente Médio.Lá,estão programadas degustações de especialidades locais de inspiração turca, armênia e persa.

Além da certeza de comer bem e aprender a história e hábitos alimentares, outro grande motivo para embarcar nessa viagem é a companhia afável da anfitriã. Especialista em arte islâmica, Anissa foi marchand e consultora de arte da família real do Kuwait até começar a escrever sobre comida. É autora dos livros Lebanese Cuisine, Mediterranean Street Food e Street Cafe Morocco e dá aulas de especialidades árabes em sua cozinha, em Londres.

 

Como ir:

Viagens ao Oriente Médio em 2011, as viagens à Síria serão do dia 9 a 18 de maio e do dia 12 a 21 de outubro. Anissa planeja viagens culinárias à Turquia no fim de 2011 e ao Irã em maio de 2012. Cada viagem sai por cerca de US$ 4.500 por pessoa, sem contar a parte aérea. travels@anissas.com

 

 

 

2   Reserve uma mesa no melhor restaurante do mundo, o Noma

Em pouco tempo, o discreto restaurante dinamarquês de René Redzepi, situado num velho armazém de cais em Copenhague, saiu do anonimato completo e foi subindo no conceito dos gourmets do mundo todo. O auge foi neste ano.Nalista de 2010 dos 50 melhores do mundo da revista inglesa Restaurant, o Noma ficou em primeiro lugar, batendo até mesmo os prestigiados elBulli e Fat Duck. As reservas, que eram muito fáceis de conseguir, quase bastando passar na porta e entrar, viraram moeda rara. São meses de espera e peleja para conseguir uma mesa, mas se tiver chance, não hesite. Vá ao Noma para provar a comida vanguardista com toques regionalistas que é a vitrine da nova cozinha nórdica. Mas se a pretensão furar, há o livro sobre o Noma que acaba de ser publicado em inglês. Muito bem editado, custa R$ 112,89 na Livraria Cultura e US$ 33 na Amazon.com.

 

Onde fica:

Noma

93 Strandgade, Copenhague, Dinamarca, 0/xx/45/3296-3297.O menu custa 1.395 coroas dinamarquesas (US$ 245), mais 1.045 coroas (US$ 183) se incluir os vinhos.

 

 

 

3   Organize um piquenique ao pôr do sol

Tudo que você precisa é boa companhia, comidinhas gostosas, uma toalha impermeável (porque piquenique tem de ser na grama) e uma cesta de vime. Procure um lugar plano, agradável, de preferência sob a sombra de uma árvore, para ajeitar a toalha, que deve ser grande e forrada com plástico( ou impermeável) para evitar que a umidade do chão pegue o tecido, as comidas e quem vai sentar sobre ela.

"O cuidado com a preparação e a apresentação dos pratos dá um charme especial", diz a cozinheira e escritora Heloisa Bacellar. E o que levar para comer? Heloisa recomenda uma sopa de fruta gelada, acondicionada numa garrafa térmica, e espetinhos de cenoura, aipo, rabanete, pepino, nabo e tomatinho cereja com molhos variados (de queijo e ervas) e torradinhas de pão sírio (com queijo ralado, sal, tomilho, alho e azeite).

 

Onde comprar:

 

La da Venda

R. Harmonia, 161, Vila Madalena, 3037-7702

Toalha de piquenique de plástico xadrez (R$ 21) cesto de vime redondo (R$ 142) ou de palha quadrado (R$ 93)

 

Ricafestas

Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 273, Itaim Bibi, 3045-4700

Pratos e copos descartáveis

 

 

 

4   Recupere antigas receitas de família

Antes que você se arrependa amargamente por não ter aprendido a fazer aquele prato da sua avó de que tanto gosta,investigue a memória familiar. Não perca a chance de documentar uma receita associada a um momento bom da vida. Você pode pedir uma aula particular para sua avó, perguntar à sua mãe ou vasculhar aquele livro de receitas de páginas amareladas.Ou pode se lançar num projeto mais ambicioso, como o de registrar em vídeo o guardião da receita com a mão na massa, explicando passo a passo como fazer o prato perfeito.

 

 

 

5   Monte uma adega básica

Diante de tanta oferta de rótulos e taças, o iniciante pode ficar zonzo antes mesmo de beber um gole de vinho, sem saber como começar uma adega. Quer saber o que é realmente necessário? Um sacarrolhas eficiente(não precisa ser caro nem complicado, basta um de dois tempos, daqueles que os garçons franceses usam); uma pequena adega climatizada, para 30 vinhos, é o bastante - pouca gente tem mais de três dezenas de vinhos que precisam ser longamente guardados; taças para brancos e para tintos, as mais finas possíveis - não precisam ser de cristal, como as Riedel, caríssimas. Há as francesas de vidro reforçado,corte fino, difíceis de quebrar, com bom desenho e agradável contato com os lábios, chamadas Open Up; um decantador para aerar alguns vinhos. Como no caso das taças, beleza e design são um bônus, mas o propósito é apenas expor o líquido ao ar,portanto,um recipiente de vidro limpo e transparente serve. Um balde de gelo completa o equipamento básico da adega.

E os vinhos? Uma lista de menos de dez vinhos atende a todas as situações cotidianas: um espumante para celebrar ou como aperitivo; um branco seco para entradas frias e frutos do mar; um branco mais encorpado e com madeira para peixes com molhos mais intensos; um tinto leve para pratos grelhados; um tinto com boa acidez para os molhos de tomate e o frango assado; um tinto encorpado e mais austero para os pratos de carnes com molhos densos; um vinho de sobremesa para os doces; e um Porto Tawnyou Madeira para o final da refeição e os momentos de conversa sem pressa.

 

 

 

6   Faça uma super faxina na prateleira de temperos

 

Tempero bom é tempero novo, com aroma intenso e textura íntegra. Por isso comece seu ano gastronômico com uma faxina na prateleira de condimentos. Tire o que estiver vencido, ou aberto há tempo, já longe da melhor fase. E quando for repor, lembre-se: tempero se compra em pequena quantidade. Eis uma lista daquilo que você vai precisar para cozinhar.

Pimenta-do-reino - Compre em grãos e moa na hora, fica mais saborosa. Guarde em local seco, escuro.Para aproveitar melhor o sabor, use-a no final do preparo.

Sal gourmet - Flor de sal ou um sal gourmet como o inglês Maldon fazem maravilhas na finalização dos pratos.

Pimenta rosa - Tecnicamente não é pimenta,mas o que vale é que aromatiza saladas, queijos, carnes. Use os grãos crus: quando cozidos,perdem o perfume.

Louro - As folhas secas têm mais sabor, mas perdem intensidade com o tempo. Retire da panela no fim do preparo.

Mostarda em grãos - combina com carnes, molhos e saladas. Para acentuar seu sabor, deixe em água fria por 15 minutos. Use no final do preparo e aqueça pouco.

Pimenta calabresa - Vendida em flocos, é levemente picante. Dá sabor a carnes e molhos. Guarde em pote vedado.

Páprica - É o pimentão-doce seco e moído. Quanto mais novo, melhor. Combina com carnes, ovos, caldos, peixes e legumes. Guarde em latinhas bem vedadas.

Canela - Em pau ou pó, é indispensável na cozinha, usada em doces e salgados. Você vai precisar ter em casa as duas versões. Em pó, enriquece caldos, recheios. Em pau, vai bem com bebidas quentes.

Cominho - Compre as sementes e moa na hora de usar. Para reavivar o sabor, toste rapidamente. Use em picles, comida mexicana, carnes e molhos de tomate.

Açafrão - Quanto melhor a qualidade, melhor o resultado - mas açafrão é uma especiaria cara.Os melhores são os iranianos, os espanhóis e os marroquinos. Use com peixes, aves, arroz. É indispensável na paella e no risoto milanês.

Curry - Use com lentilha, chutneys, carnes, arroz, e aves. Guarde longe da luz. Cardamomo - Compre as sementes, descasque e moa na hora de usar em doces, massas e pratos de carne. Guarde em local seco e escuro.

Cravo - Use para aromatizar carnes, doces, chutneys. Guarde em local seco.

Zimbro - Compre em grãos e amasse na hora de usar. O sabor é marcante, mas some com o tempo.

Noz-moscada - Compre inteira, moa na hora e use na fase final de preparo porque o calor reduz seu sabor.Guarde em potes, em lugar protegido da luz.

 

 

 

7    Organize uma degustação com grand crus de chocolates

Que tal reunir uns amigos e fazer uma degustação a sério, nos moldes das provas de vinho? Comece comprando chocolates em barra de diferentes origens e porcentagens de cacau - escolha só os preparados a partir de grãos de cacau torrados e moídos e com manteiga de cacau (fuja dos feitos com gorduras menos nobres ou produtos artificiais). Quatro ou cinco chocolates são suficientes, e quanto mais diferente for sua composição, melhor. Se quiser, retire os chocolates das embalagens antes da prova para que ninguém seja influenciado pela marca. Numere as amostras (faça uma lista para identificá-las no final da degustação).

Numa prova de chocolates devem ser observados determinados parâmetros. Se quiser caprichar, prepare fichas de degustação a partir da lista abaixo e distribua entre os participantes. Entre uma amostra e outra, beba água para limpar o palato.

Você deve avaliar:

1. O aspecto: a superfície está lisa, brilhante, uniforme, sem bolhas?

2. A cor: a tonalidade varia conforme a porcentagem de cacau - quanto mais cacau. Compare. Mas qualquer que seja a cor, ela deve ser uniforme.

3.  A textura: pegue o pedaço do chocolate - ele deve ser sedoso, liso.

4. O‘clec’: quebre de uma vez. Som cheio,decisivo, indica que a cristalização foi bem feita.

5. Os aromas: a fragrância aromática de um bom chocolate é doce,sem ser enjoativa. Você consegue perceber toques de baunilha? Um certo perfume de caramelo? Se tiver cheiro de queimado, tostado ou de ranço, o chocolate é ruim.

6. A reação na boca: ponha um pedaço de chocolate na boca e morda delicadamente. Ele deve ser crocante no primeiro toque e se desfazer suavemente em sua boca. Primeiro, fica macio, depois cremoso e no finzinho, líquido. Se ficar pegajoso ou granulado, é ruim. 7. Enfim, o sabor: morda outro pedaço (você terá de fazer o sacrifício...): o bom chocolate tem doçura, amargor e acidez, tudo equilibrado. Se quando a prova terminar você já estiver pensando na próxima, a saída pode ser formar uma confraria e se reunir com os amigos regularmente, organizando diferentes provas temáticas.

 

 

 

 

8   Programe-se para comer pratos que não estão no cardápio

Neste ano, programe-se para comer aqueles pratos feitos só sob encomenda, com dias de antecedência. Precisa de ideias? O Paladar ajuda com algumas. De todas, a que talvez exija mais organização é o famoso cordeiro assado do Carlinhos Restaurante, porque, antes de encomendar,você vai ter de reunir outros 11 interessados em compartilhá-lo. Mas o esforço vale a pena. O cordeiro é marinado por dois dias, assado por 6 a 8 horas e servido com brócolis ao alho e óleo e batatas (R$ 650).

Outro prato que não está no cardápio (e é quase impossível de encontrar em São Paulo) é a galinha de cabidela do Mocotó. O restaurante aceita encomendas o ano todo."Só não faço quando não acho os ingredientes", diz Rodrigo Oliveira, que pede dois dias para prepará-lo (R$ 80 para quatro).

Roberto Deyrmendjian, dono da Casa Garabed, faz a Armênia se encontrar com Portugal quando prepara um bacalhau assado no forno a lenha com cebola, pimentão, azeite, alho, batatas e pinole, acompanhado de arroz armênio(feito com cabelinho-de-anjo e grão-de-bico). O prato, que serve três pessoas e custa R$ 192, deve ser pedido dois dias antes.

Quem frequentava o A1 lembra com saudade da rabada de Shin Koike. Ela não faz parte do cardápio do atual restaurante do chef, o Aizomê, mas pode ser encomendada. Shin aceita o pedido até dois dias antes (R$ 18). Já no Amadeus, quem quiser levar para casa o tradicional cuscuz paulista tem de pedir com um dia de antecedência (R$ 190 para 8 a 12 pessoas e R$ 295 para 15 a 18 pessoas).

 

Onde comer

Aizomê . Al. Fernão Cardim, 39, Jardim Paulista, 3251-5157

Amadeus . R. Haddock Lobo, 807, Jardim Paulista, 3061-2859

Carlinhos Restaurante . R. Rio Bonito, 1.641, Pari, 3315-9474

Casa Garabed . R. Jose Margarido, 216, Santana, 2976-2750

Mocotó . Av. Nossa Senhora do Loreto, 1,100, Vila Medeiros, 2951-3056

 

 

9   Cultive uma verdura na janela de casa

Se você tiver uma janela onde bata sol, que comporte uma floreira, já pode começar sua plantação. O espaço reduzido limita o tamanho do cultivo, mas a ideia não é plantar verduras para suprir o consumo da casa e sim cultivar pequenos prazeres, como o de ver um pezinho de escarola brotar e crescer dia a dia, até o momento de colher e fazer uma salada.

Além da floreira,do sol e de um pouquinho de dedicação você vai precisar de substrato orgânico, húmus e sementes - prefira as sem defensivo, para fazer um cultivo orgânico. O primeiro passo é montar a sementeira - para isso, reaproveite uma caixa de ovos ou uma embalagem plástica de iogurte. Coloque terra até o topo de cada buraco, ponha a semente, sem afundá-la muito, e cubra com terra, empurrando com a ponta do dedo. "Não pode aguar com regador. Use um pulverizador, e deixe no sol. Em menos de dez dias as sementes germinam", ensina Silvia Jeha, proprietária da Sabor de Fazenda (http://www.sabordefazenda.com.br/).

Depois, é só transplantar as mudinhas para a floreira (ela deve ter, no mínimo, 15 cm de profundidade). Mas antes forre a floreira com pedra (ou cacos de telha), espalhe uma camada de areia por cima(ela tem função de filtrar a água, não deixando que fique parada) e cubra com o substrato já misturado ao húmus e à areia. Ajeite as mudas a meio palmo de distância, cubra com mais terra e regue bastante, até escorrer água no prato.

Nos dias seguintes, apalpe a terra para ver se precisa ser molhada - "cuidado para não afogar a planta", alerta Silvia. As verdurinhas precisam de4 a 5 horas de sol por dia, e a terra dever ser readubada a cada 40 dias.

 

 

 

10   Use as férias para fazer um curso de gastronomia fora do país

Aproveite a viagem de férias para aprender a cozinhar. Foodies viajantes dispõem de boas opções de cursos de culinária ao redor do mundo, como estas selecionadas pelo Paladar.

No Piemonte, a Icif ( http://www.icif.com/ ) realiza o sonho de todo comilão que quer aprender a fazer massas caseiras ou harmonizar queijos e vinhos da região, a partir de €50 por aula. Na Toscana, em um casarão do século 15,o Saporita ( http://www.toscanasaporita.com/ ) organiza aulas de um dia com degustações, ou aulas de técnicas avançadas, com possibilidade de hospedagem e visitas aos mercados e provas de azeite e vinho.

Prefere a França? Susan Hermann Loomis, a escritora que trocou Washington por Louviers, na Normandia, comanda a escola On Rue Tatin ( http://www.onruetatin.com/ ).Há cursos de um ou três dias, a partir de € 210. De abril a novembro de 2011, Susan leva suas aulas para a Rive Gauche, em Paris.

Em Portugal, o chef Vítor Sobral ( http://www.vitorsobral.com/ ) recebe visitantes em Oeiras, a leste de Lisboa, para cursos de duas aulas de quatro horas cada, em geral no período da noite - encerrando comum jantar harmonizado. Custam a partir de € 185 por pessoa. O lendário hotel Quinta das Lágrimas, em Coimbra, também oferece cursos de técnicas e receitas portuguesas, porém com uma verve mais contemporânea, conduzidos pelo chef Albano Lourenço.

Na Tailândia, se a intenção for fazer uma imersão na cozinha há em Koh Samui a escola Samui Institute of Thai Culinary Arts, quase à beira mar. Ali, os alunos têm aulas temáticas sobre pratos típicos, como curry, tomyumgoon e noodles fritos com carne de porco.

Cozinha turca? Istambul tem duas opções interessantes. Com aulas em francês, inglês e alemão, o CookingAlaturka( http://www.cookingalaturka.com/ ) tem cursos individuais ou para grupos que incluem city tour, degustações e um roteiro de casas e restaurantes da cidade. A Turkish Flavours ( http://www.turkishflavours.com/)  é outra escola que concilia passeios pela cidade com aulas.

Para quem não quer ir tão longe ( nem fazer um investimento muito alto ), a Cookingwith Teresita, nos arredores de Buenos Aires( http://www.cookingwithteresita.com/ ), é uma boa opção. Oferece aulas temáticas sobre empanadas e outros clássicos argentinos. Outro destino interessante no continente americano é o México. Em Oaxaca, a chef Pilar Cabrera, do restaurante La Olla, dá aulas sobre uma variedade incrível de moles, sopas e tamales (os cursos custam a partir de US$ 70; veja no site http://www.casadelossabores.com/ . Na cidade do México, os alunos saem com canudo da Escuela de Gastronomía Mexicana ( www.esgamex.com/index.htm ), que oferece cursos de curta duração.

Para viajantes mais ambiciosos, que queiram aprimorar o repertório técnico nos Estados Unidos, mas por curtos períodos,uma boa opção é o Culinary Institute of America da Califórnia, que organiza cursos de técnicas de culinária e de vinhos nos fins de semana ( http://www.ciachef.edu/ ).

 

 

11   Aproveite a onda das artesanais para se tornar um homebrewer: fabrique sua cerveja em casa

Moer e aquecer o malte em água, colocar o lúpulo, reduzir a temperatura, pôr o fermento, selar e deixar o líquido repousar. Em versão bem resumida, esses são os passos seguidos pelos homebrewers para fabricar uma cerveja caseira, hobby que a cada ano ganha mais adeptos aqui.

É um processo trabalhoso e demorado - oito horas, em média. E embora quem produza diga que é como seguir uma receita culinária complexa, há variáveis que podem fazer a cerveja desandar e pôr toda a produção a perder.

Mas as vantagens são numerosas e a principal é a possibilidade de degustar exatamente a receita que se quer. Sem falar que seu empenho pode incrementar o status social - afinal, quem não convidaria para a festa o cara que faz a própria cerveja e a compartilha com os amigos?

O aspirante a cervejeiro caseiro precisa de equipamento, matéria-prima e aprendizado. O investimento inicial em material varia de R$ 600 a R$ 2 mil - os homebrewers dizem que a partir de R$ 1 mil dá para conseguir um kit eficiente (e há, ainda, a possibilidade de comprar panelas, fermentadores e resfriadores usados e já adaptados). Quanto à matéria-prima, o melhor é se juntar a outros cervejeiros e comprar malte, lúpulo e fermento em quantidades maiores a custo menor.

E como aprender? Cervejeiros caseiros,como os cariocas Leonardo Botto (www.bottobier.com.br) e Mauro Nogueira (www.confrariadomarques.com.br) e o paulista Afonso Landini (www.cervejaartesanal.com.br), dão cursos - Landini também fornece equipamentos e matéria-prima. Outra fonte indicada é a empresa WE ( www.weconsultoria.com.br). Em São Paulo, a associação dos cervejeiros caseiros do Estado, a Acerva Paulista, tem no site (www.acervapaulista.com.br) uma seção sobre homebrew. E um último conselho: se a primeira cerveja não der certo, há o incentivo de aperfeiçoar a leva seguinte. De todo modo, levar a cria para a degustação de cervejeiros experientes é uma oportunidade valiosa de receber dicas sobre eventuais defeitos e melhorias. E, quem sabe, até elogios.

 

 

12    Monte uma biblioteca gastronômica básica

Dê uma olhada nesta lista básica de livros de gastronomia e encontre os seus. Para o cozinheiro metódico que existe dentro de você, a dica é ter na cozinha a Larousse Gastronomique, um dos livros de referência mais confiáveis. Ensina métodos e técnicas básicas com precisão e clareza. Outro grande volume (em tamanho e qualidade) é a edição em português de Chef Profissional, produzido pelo CIA ( TheCulinary Institute of America), com técnicas e receitas. The Oxford Companion to Food explica origens e maneiras de usar os ingredientes. Para saber os porquês na cozinha confie no On Food and Cooking, de Harold McGee. A obra,que sai em português no ano que vem, explica quase tudo que acontece no forno e no fogão. Fundamentos da Cozinha Italiana Clássica, de Marcella Hazan, nos conduz num giro pela Itália com receitas que sempre dão certo. Para um passeio ao mundo do vinho, abra a bíblia dos enófilos, o Atlas Mundial do Vinho, de Hugh Johnson e Jancis Robinson, e uma garrafa.

Comida também rende belíssimas crônicas e memórias como as da escritora americana Ruth Reichl, exeditora da revista Gourmete ex-crítica de restaurantes do The New York Times. Em Alhos e Safiras ela descreveu, com humor, seus subterfúgios esdrúxulos para flanar pelos restaurantes de Nova York sem ser notada. Ou quase.

O Homem que Comeu de Tudo, relato obsessivo de um homem com uma enorme curiosidade pelo universo alimentar, o americano Jeffrey Steingarten, é obrigatório. Na categoria literatura disfarçada de comida a sugestão é ler M. F. K. Fisher. Em The Art of Eating os moluscos viram joias literárias. O compêndio de cinco livros da escritora americana é uma preciosidade.

 

 

13   Aprenda mais sobre café e melhore a qualidade da bebida que você toma

A presença do café no cotidiano não é garantia de qualidade, apesar de a oferta de bons grãos no Brasil ter aumentado muito nos últimos anos. Como levar à sua xícara um café mais gostoso?

Você só precisa experimentar. Essa é a recomendação do especialista em cafés Ensei Neto. "Tudo o que envolve a parte de sensações tem a ver com a experiência. Leitura e cursos nos ajudam a sistematizar esse conhecimento, a apontar caminhos para facilitar a compreensão de forma mais acadêmica. Mas o primeiro e mais importante passo é experimentar", diz. "Não tenha medo de provar, mesmo que seja um café ruim, porque isso vai te dar referências."

Para começar a variar seu repertório, mude a marca de café (procure as que têm selos de qualidade) e prove um diferente a cada nova compra. Depois, tente prepará-lo de maneira diferente a cada dia. Toma coado? Então tente a prensa francesa ou a cafeteira italiana.

Variar é o melhor jeito de aprimorar seu paladar porque experiências sensoriais são pessoais. Por mais informações que você tenha sobre um café, só saberá se gosta ou não daquele sabor depois de prová-lo. "A partir daí, quando começamos a ter uma carga de experiência, nossa própria biblioteca mental nos forçará a procurar uma forma de organização. É quando nos sentimos prontos para fazer um curso."

 

 

14   Ponha na mesa ingredientes comprados direto do produtor

A ideia é incluir em sua dieta ao menos um alimento comprado direto do produtor. Você terá dois prazeres: o de receber a encomenda e o de saboreá-la. Eis nossas quatro sugestões:

Caminhos da Roça - Basta entrar no site, pedir a lista e escolher um produtor e a periodicidade da entrega. As cestas têm, em média, dez alimentos e custam R$ 39 (mais R$ 6,20 da taxa de entrega). Quem preferir, pode montar a própria caixa escolhendo entre os mais de 400 produtos orgânicos, como os ovos Yamaguishi e as frutas do Sítio Terra Boa. Tel. 3733-6727. http://www.caminhosdaroca.com.br/

Sítio Pedra Grande - Em São Francisco Xavier, no interior de São Paulo, produz queijos artesanais à base de leite fresco de cabra, como boursin (R$ 17, 100g), crottin (R$ 25, 140g), petit-chèvre (R$ 8,50, 50g), büchette (R$ 27, 165g) e chèvre à l"huille (R$ 20, 200g). Pedido mínimo de dois queijos para entregas em São Paulo, sem taxa. Tel. 9624-7248. http://www.sitiopedragrande.com.br/

Fazenda Marinha Atlântico Sul - Fornecedora de frutos de mar dos restaurantes Kinoshita e A Figueira Rubaiyat, a Fazenda Marinha Atlântico Sul, em Santa Catarina, também vende direto ao consumidor pela internet ostras, mexilhões, vôngoles e vieras. Entrega em 24 horas, mas o cliente precisa se cadastrar. A caixa com 3 dúzias de ostras custa R$ 39 (mais o frete); 3 kg de mexilhões, R$ 18; e 5 dúzias de vieiras custam R$ 99. Tel. (48) 3338-2022. http://www.clubedaostra.com.br/

Letti - Com uma tradição de 65 anos na produção de leite, a Fazenda Agrindus, em Descalvado, abastece o restaurante Due Cuochi, a rede Pão de Açúcar e a Casa Santa Luzia e entrega em casa o leite A integral ou desnatado (R$ 2,80 o litro), o iogurte natural com fibras (R$ 4,35, 900g) e o creme de leite fresco (R$ 6, 600g). Tels. 0800-7737170 e 2063-0488. http://www.agrindus.com.br/

 

 

15   Crie um ser vivo: um fermento de pão ou um kefir

Dá trabalho, não vamos negar. Esses bichinhos exigem cuidado constante, têm de ser alimentados diariamente (ou quase) - ainda que você não vá consumi-los todos os dias. Por que estamos sugerindo, então, que você adote um (ou quem sabe os dois?) e arrume mais uma preocupação em 2011? Porque eles certamente o farão feliz.

Pense no prazer de comer, sempre que quiser, um pão feito com fermento natural, de casca crocante e miolo saboroso, denso, ou de ter iogurte fresquinho todas as manhãs.

No caso do fermento natural, tudo que você precisa para começar o processo é de um bocado de farinha de trigo e água - as leveduras presentes na farinha (e no ar) se encarregarão do resto. Já o kefir ("colônia"com vários tipos de bactérias lácticas e leveduras) você vai ter de adotar de algum amigo ou conhecido.

O cuidado que você terá de ter com ambos é, basicamente,alimentá-los.O fermento de pão deve ser nutrido com farinha e água sempre que você tirar uma parte para produzir pães (ou a cada dois ou três dias, se você não for usá-lo diariamente). Vez ou outra, também gosta de sair da geladeira e "tomar um ar". Já o kefir só precisa de leite. Se for consumir iogurte diariamente, é só deixá-lo fora da geladeira e repor com leite. Não quer iogurte hoje? Alimente a "colônia" com leite e mantenha - a na geladeira.E você, de tempos em tempos, ainda pode doar uma parte dele.

Veja como produzir seu fermento natural no site: www.estadao.com.br/paladar

 

16   Transforme sua cozinha em pastifício por um dia

Tire um dia para transformar sua casa num pequeno pastifício - mas sugerimos que você só faça isso quando tiver tempo e vontade de passar longas horas na cozinha. Preparar massa em casa dá trabalho. Talvez você desanime depois da primeira tentativa, se ela ficar grossa, ou fina, porém depois que você afinar a receita, há boas chances de querer reabrir o pastifício doméstico por vários fins de semana.

Você vai precisar de ovos frescos (caipiras, se possível), farinha de trigo de boa qualidade e uma maquininha daquelas de manivela, simples, para afinar e cortar a massa - abrir no rolo de madeira seria pedir demais, não?

A massa básica é a que leva um ovo para cada 100g de farinha de trigo. Limpe uma superfície lisa, faça uma montanha de farinha com um furo no meio e coloque os ovos ali. Misture aos poucos e amasse bem até a massa ficar homogênea. Quando estiver lisa e uniforme, enrole em papel-filme e deixe descansar na geladeira por ao menos uma hora. Só então comece a abrir - crianças adoram ajudar na tarefa: enquanto um segura a massa, o outro roda a manivela - adultos também costumam gostar da brincadeira. Improvise um varal com barbante e pendure os fios já cortados para secar. Ou se preferir, estenda a massa e distribua porções de recheio antes de cortar e dobrar em mezzaluna.

 

 

17   Troque os temperos secos por ervas aromáticas fresquinhas, colhidas na hora

Para ter sempre ervas aromáticas frescas, o jeito é cultivá-las em casa. A tarefa tem alguns segredos. O erro mais recorrente é misturar espécies que gostam de água com as que não gostam (esquecer de aguar ou de pôr no sol são deslizes imperdoáveis).

O que pode ser cultivado no mesmo vaso? Sálvia, tomilho, manjerona e alecrim - nenhuma delas gosta muito de água. Em outro, você pode plantar manjericão, salsinha e cebolinha - todas elas gostam bastante de água. Hortelã é invasora. O melhor é deixá-la sozinha. Capim-limão também prefere a solidão, porque vira touceira.

Forre o fundo do vaso com pedras, ponha uma camada de areia por cima e preencha o restante do espaço com substrato misturado ao húmus. Distribua as plantas, ponha mais terra por cima e regue quando estiver seco. Importante: é preciso adubar o vaso de ervas a cada 45 dias. Do contrário, elas vão definhar e acabar morrendo.

 

Onde comprar:

 

Sabor de Fazenda

Av. Nadir Dias de Figueiredo, 395, V. Maria, 2631-4915

Muda de erva : R$ 3 a R$ 3,50 (as pequenas); R$ 30 a R$ 80 (as grandes)

Vaso de barro com prato:  (R$ 15 para uma muda a R$ 45 para quatro mudas)

Terra orgânica adubada: R$ 12 (pacote de 5 kg)

Adubo orgânico: R$ 15

 

 

18    Melhore sua alimentação: leve uma‘lancheira’com você

Tente, pelo menos uma vez por semana, levar uma refeição para o trabalho. Para animá-lo, selecionamos recipientes charmosos para armazenar frutas, sanduíches, castanhas e nozes, saladas de folhas e grãos, tortas e até sopa. Tem até uma marmita para guardar a comida que vem com aquecedor elétrico.

Lancheira - Ideal para levar frutas, sucos e sanduíches, a lancheira da Tupã é feita de nylon com revestimento interno impermeável que ajuda a manter a temperatura do alimento. Na loja 62 Graus (tel. 3813-8434), ela é vendida nas versões estampada (R$ 54) e lisa (R$ 62).

Pequenas porções - O pote da Coza, com capacidade para 800 ml, permite levar pequenas porções de alimentos na bolsa. Tem boa vedação e pode ir direto à mesa (R$ 19,46). SAC: 0800 7044 144.

Al dente - A tigela de cerâmica da Rosti Mepal vem dentro de um suporte plástico com alça antiderrapante, perfeita para comidas quentes. Na Raul"s (tel. 3814-8532), custa R$ 94,90.

A vez do caldo - O bowl 2 em 1, da canadense Trudeau, armazena alimentos quentes ou frios, não vaza e pode e ir ao micro-ondas. Tem capacidade para 470 ml e custa R$ 29, na Artmix (tel. 3853-2542).

Quentinha - Com dois recipientes, a pequena marmita esquenta a comida a vapor, por meio de um aquecedor elétrico. À venda na Marmi Quent (tel. 2899-3800), custa R$ 31.

Bentô - Feito na medida para levar uma refeição completa. São dois recipientes plásticos, um deles com quatro potinhos (R$ 49). Fácil de lavar. A loja Espaço Liberdade (tel. 3105-6355) também vende outras caixas.

 

 

 

19   Faça um curso e aprenda a cozinhar como um chef

Para ajudá-lo a enriquecer o cardápio de sua casa indicamos três escolas de culinária. A opção exigirá investimento de tempo e dinheiro. A vantagem é que você poderá acompanhar o preparo das receitas, cozinhar junto com um chef e, o melhor, provar o resultado. Você verá que o esforço valeu a pena quando receber os elogios em casa.

Fundada há quase 30 anos, a Escola Wilma Kövesi de Cozinha abre a programação de 2011 com três cursos: Principiantes - Intensivo, Saladas e Cozinha Urbana. O primeiro inclui o preparo de seis cardápios, com tortas, peixes, panquecas, suflês e sobremesas. As aulas estão agendadas para os dias 26, 27 e 31 de janeiro, e 1º, 2 e 3 de fevereiro (R$ 890). Em Saladas, os cozinheiros aprenderão a usar ingredientes como grãos, sementes, folhas, massas, queijos, iogurte e ervas, para variar as texturas e combinações das receitas, como a salada de salmão assado, molho de creme azedo e ervilha torta; e a versão com folhas verdes, abacate, tiras de tortilla com vinagrete de gaspacho e mix de sementes. A aula será dia 7 de fevereiro (R$ 198). Já em Cozinha Urbana os alunos vão aprender a preparar dois cardápios rápidos a partir de produtos semiprontos. Entre as receitas estão robalo com leite de coco e figos secos assados em papel-alumínio; e creme de cogumelos com crocante de pão. Serão duas aulas, dias 10 e 17 de fevereiro (R$ 376).

O Atelier Gourmand - que estreia em 2011 seu curso de formação de chefs - também preparou uma programação variada para cozinheiros amadores, com temas como festa mexicana em casa (dia 13 de janeiro, R$ 230); risotos de verão (dia 17, R$ 234); e desvendando peixes e carnes (dias 18 e 19, R$ 492).

Já o Madame Aubergine, localizado no Itaim Bibi, iniciará as atividades em fevereiro com aulas para quem quiser aprender a cozinhar (R$ 150, duas aulas); aprimorar o trivial (R$ 80); e receitas para fazer em 15 minutos (R$ 90).

 

Onde estudar

Atelier Gourmand - R. Bela Cintra, 1.783, Jd. Paulista, 3060-9547

Escola Wilma Kövesi de Cozinha - R. Cristiano Viana, 224, Cerq. César, 3082-9151

Madame Aubergine - R. Carla, 25, Itaim Bibi, 3168-7389

 

 

20 Percorra de bicicleta a rota das vinícolas na Califórnia.

Escolhemos a região de Napa Valley, na Califórnia, porque é bonita. Mas pode ser Mendoza, na Argentina, a região francesa da Borgonha, Canelones, no Uruguai, ou Maipo, no Chile. O que não dá é para pedalar no Douro, em Portugal, ou no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, só para citar duas regiões montanhosas. Conhecer um vinhedo, de preferência na época da colheita, ver o trabalho nas videiras e a recepção de uvas na cantina, o início do processo de fermentação e entender como nascem os vinhos, faz diferença na hora de apreciar a bebida. Tente visitar mais de uma vinícola numa mesma região, a comparação permite conhecer diferenças de terroir e as influências de clima e solo sobre as uvas. Não há lugar em que se produza vinhos que seja feio. Porém em lugar lindo ou comum, o processo é o mesmo e sempre é deslumbrante ver a transformação de uvas em vinho.

 

Como ir

Viagens de bicicleta

A agência americana Backroads organiza tours de cinco dias aos vinhedos da Califórnia. Veja itinerário diário completo em http://www.backroads.com/

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