A inflação controlada anima os consumidores
A queda da inflação é o fator que mais contribuiu para o nível recorde alcançado pelo Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio). Outros bons motivos para essa confiança - o aumento da massa salarial e da oferta de emprego - não teriam sido suficientes para o resultado de 162,3 pontos registrado em agosto, ou 4,6% mais do que em julho. Iniciado em 1994, o índice varia entre 0,0 e 200,0 pontos. Acima de 100 pontos é a faixa do otimismo.
Em janeiro a inflação oficial, medida pelo IPCA, foi de 0,75% e em fevereiro, de 0,78%, corroendo o poder de compra dos salários. Mas o IPCA despencou para a casa de 0,5%, em março e abril; caiu a 0,43%, em maio; chegou a zero, em junho; e ficou em 0,01%, em julho. E no período ainda houve reajuste do salário mínimo e das aposentadorias.
Mais do que reclamar dos juros altos, como se faz habitualmente - em geral, com razão -, o comércio deveria agradecer ao Banco Central pela sintonia fina da política monetária, que retomou, em abril, a alta do juro básico. Nada pior do que um recrudescimento de preços para abalar a confiança e a intenção de consumir.
Outros indicadores registraram um aumento do endividamento das pessoas físicas, o que poderia desestimular as vendas a varejo nos próximos meses. Mas o assessor econômico da Fecomércio, Thiago Freitas, acredita que "o atual nível de confiança demonstra que os consumidores estão mais dispostos a comprometer uma parcela mais significativa de sua renda, principalmente com a aquisição de bens de alto valor unitário". Na prática, esse grau de otimismo é confirmado pelos dados favoráveis do setor de veículos, inclusive depois do corte de incentivos tributários.
Um dos componentes do ICC, o Índice das Condições Econômicas Atuais (CEA), mostrou que o grau de satisfação dos paulistas aumentou 7,2% entre julho e agosto, com destaque para as mulheres e as famílias com renda inferior a dez salários mínimos. Já o Índice de Expectativa do Consumidor (IEC) indicou mais confiança, sobretudo daqueles que percebem mais de dez mínimos. Estes talvez acreditem, como o governo, que não há mais crise no horizonte brasileiro, ao contrário dos países desenvolvidos, onde o consumo cedeu lugar à poupança, por precaução.
Mas a demanda aquecida, usual em fases de eleições, cria ilusões, pois se perde de vista o momento seguinte, quando o governo terá de ser bem mais contido para evitar novas pressões fiscais e inflacionárias.
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