A nossa cultura destilada

Como o brasileiro bebe? Seguir a rota da cachaça é um bom meio de descobrir, informa o especialista Paulo Leite, que traçou um mapa cachaceiro do País usando 25 rótulos

O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2014 | 02h08

Poucas coisas são mais brasileiras que a cachaça. O desafio de Paulo Leite, do Empório Sagarana, foi mapear o Brasil com 25 rótulos da bebida, em uma degustação para os fortes. Houve até uma vertical de cachaça, com dois produtores diferentes. Da Século XVIII, rótulo mineiro, vieram três safras (2002, 2008 e 2012), da Encantos da Marquesa, as safras 2009 (já esgotada no mercado) e 2011.

Leite contou que o mapa brasileiro está sendo traçado. "Já há estudos para o uso de cem madeiras amazônicas no envelhecimento de cachaça", contou Paulo. De acordo com o Ministério da Agricultura, existem mais de 4 mil marcas de cachaças. Um dos participantes tentou, nos últimos anos, tomar todas em ordem alfabética. "Parei na Bahia", confessou.

Se conhecer a branquinha é essencial para entender a forma como o brasileiro bebe, os gringos Fabio La Pietra (SubAstor) e Aharon Rosa (Esquina Mocotó) mostraram estar muito bem aclimatados ao País. Os mixologistas criaram drinques e mais drinques com cachaça, dando a ela nova personalidade. A degustação teve clima de festa, com estouro de confete e muita música dançante.

Os alunos eram encorajados a preparar seus próprios drinques, como o Aquela Onça, de cachaça, xarope Amaro Lucano, gim, suco de limão, gengibre e chimarrão frio. Conta La Pietra que o nome surgiu porque um cliente se apaixonou por uma moça com roupa de oncinha. Minutos depois, percebeu uma mulher vestida dessa maneira na plateia - todos riram. O italiano exibia com orgulho uma cabaça conectada a um dispenser de água. Era uma Claudionor, envelhecida três meses. "Enquanto barris comuns têm transpiração, a cabaça é porosa apenas por dentro e dá doçura."

E nem só de cachaça vive o brasileiro. Marco de la Roche, do Casa Café, trouxe bebidas nacionais pouco conhecidas, como a tiquira, um destilado de mandioca maranhense. De acordo com o mixologista, ela é mais nacional que a cachaça, "já que esta última é feita da cana, que não é nativa das Américas".

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