'A pirataria é sobretudo uma forma de divulgar o trabalho’

Paulo Coelho, escritor

Bruno Galo,

11 Agosto 2008 | 00h00

"Cibernético". É assim que o escritor Fernando Morais, autor da biografia O Mago, sobre Paulo Coelho, o define. Em entrevista por e-mail, o escritor, que já vendeu mais de 100 milhões de exemplares em todo o mundo, comentou o futuro do livro. Como você enxerga a relação entre livros e internet? Digamos que a internet é um meio onde se lê e se escreve, o que fez com que o livro se tornasse, hoje em dia, o que a música era para a minha juventude: o grande referencial de época. Essa relação é positiva? Extremamente. Está obrigando as pessoas a desenvolverem uma nova linguagem, fazendo com que leiam mais, já que precisam escrever. E escrevendo mais, tendo alternativas de publicação, etc. Como a internet pode influenciar a literatura? De diversas maneiras. Permitindo que se tenha acesso a muitos trabalhos que normalmente ficariam nas gavetas (hoje estão hospedados em servidores, ou seja, uma "gaveta" que qualquer um pode abrir) e democratizando a literatura, permitindo que todos possam expressar, à sua maneira, o que sentem. Um dia podemos ver o fim do livro de papel? Depende. Acho que, para a ficção, o livro continuará como a melhor alternativa pelos próximos 50 anos. Para livros técnicos, suportes eletrônicos serão mais usados, sobretudo por causa do peso e da quantidade de informações que pode ser armazenada. O mercado de livros ainda vai sofrer por causa dessa "pirataria"? Claro que não. É uma forma de divulgar o trabalho. Com a ajuda dos leitores, criei o site Pirate Coelho, que pode ser acessado do meu blog, www.paulocoelhoblog.com. Ali coloco todas as traduções que encontro na internet, facilitando o trabalho de piratear meus livros.

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