A regra aqui é jogar para se divertir

Game aparece como referência na rotina de todos, do games maníaco ao jogador casual - e até de quem não joga

Rafael Cabral e Jocelyn Auricchio, de O Estado de S. Paulo,

08 Junho 2009 | 12h30

Muito se engana quem acha que a cultura dos games atinge apenas um tipo de pessoa, o geek. Pelo contrário: os consumidores de jogos eletrônicos são, muitas vezes, exatamente opostos. O contador Moacyr Santos, 37 anos, por exemplo, é um fanático por consoles, enquanto a estudante Thalita Carbonini, 20 anos, gosta apenas de alguns joguinhos de celular. Moacyr tem 120 videogames, de todas as procedências - alguns até repetidos, apenas com as cores trocadas.   Sua coleção tem curiosidades como o Casio Loopy, um console feito para meninas, que tem uma impressora embutida para criar adesivos da imagem pausada na tela. Ou o Supergraphic, que durou apenas para ver o nascimento de quatro jogos.   "Todos os meus amigos vieram por meio dos games. É a minha forma de sociabilidade", diz o colecionador, que chegou a aprender japonês para decifrar os manuais dos consoles. O fanatismo é tamanho que, para comprar um protótipo do clássico Atari, ele entrou em um leilão disposto a gastar até US$ 5 mil - e ainda assim ficou sem a relíquia, que acabou arrematada por US$ 19 mil.   Games, para Moacyr, são cultura. Por isso, ele faz parte de um grupo que reivindica uma redução da taxação sobre eles. "O game hoje é considera do ‘jogo de azar’. É um absurdo. O imposto é mais caro que o dos caça-níqueis", reclama.   O engajamento contrasta com a atitude de Thalita, cujo interesse por games se restringe ao jogos de boliche e montanha russa do celular.   "Jogo todo dia, principalmente para passar o tempo em aulas ruins", diz ela, que nunca evoluiu para games mais complexos. Ela é uma "desencanada digital", ao contrário do contador expert em tecnologia, que vê nos emuladores de games uma importância histórica.   A falta de habilidade já fez Thalita passar por apuros. Sem muita destreza para manejar seu celular, certa vez enviou um SMS - originalmente para seu namorado - para mais de 70 pessoas. "Gastei tanto que a operadora me ofereceu outro plano", diverte-se ela, que precisa de ajuda até para ligar o Bluetooth do telefone: "não é que eu não sei, mas às vezes esqueço o caminho".   Em outro caso, ela inverteu sem querer a área de trabalho do computador e trabalhou por um tempo com ela de ponta cabeça, já que não conseguia mudar. A estudante é tudo o que Moacyr não é, mas ambos são consumidores assíduos de games, que não estão mais presos a estereótipos. São parte da mesma cultura, que já não tem barreiras para crescer.   Jogos antigos 'abandonados' podem ser salvos   Os abandowares são jogos ou programas tão antigos que acabaram no limbo do direito autoral.   Um game vira abandonware quando a empresa que o desenvolveu fecha e nenhuma outra compra os direitos de uso e atualização da marca, personagens ou programa. Como estão no limbo, os abandonwares podem ser baixados e instalados sem o risco de se infringir nenhuma lei.   Um grande site de abandowares é o Home of the Underdogs (www.homeoftheunderdogs.net). Lá você encontra vários clássicos disponíveis para baixar. Para rodar os jogos antigos de DOS, instale o DOSBox (www.dosbox.com) e reviva o passado.

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