A terceira dimensão invade a era digital

Geralmente vinculadas aos anos 90, invenções em três dimensões só hoje conseguem ambiente propício para se reproduzir: alta capacidade de processamento, banda larga e evolução de softwares. Tudo isso pode fazer do 3D, no futuro, a palavra de ordem dos ano

Lucas Pretti,

25 Agosto 2008 | 00h00

Quando se fala em 3D, uma das primeiras referências são os óculos de plástico vermelho e azul que dão a sensação de profundidade (e portanto da terceira dimensão). Mas isso não é muito anos 50? Por que o Link vai falar de 3D agora, quando a tecnologia já avançou ao ponto de permitir, por exemplo, a troca de arquivos gigantes em longa distância e até por celular? Porque, nas últimas semanas, diversos experimentos pipocaram pelo mundo e mostraram que o 3D será lembrado, no futuro, como uma expressão dos anos 2000. O mais vultoso deles é o lançamento de um software da Microsoft, o Photosynth (www.photosynth.com), que consegue entender as informações visuais de fotos (como cores e sombras) ao ponto de juntá-las e criar perspectiva 3D. Fotografando, por exemplo, a Catedral da Sé, em São Paulo, de diversos ângulos, é possível reconstruí-la online. O software roda dentro do navegador de internet. A revolução representada por experimentos como esse vem da facilidade de uso e da disponibilidade de qualquer um experimentar no próprio computador. De certa forma, reinventa o conceito de metaverso e cria possibilidades infinitas de aplicações, desde empresas com seus produtos em 3D até policiais com a reconstrução de um crime. O Link também fez algumas gracinhas (veja no texto abaixo). Outro software impressionante foi mostrado por oito pesquisadores ligados à University of Washington, EUA. Eles construíram o que os blogs de tecnologia chamaram de "Photoshop do vídeo", um programa que permite editar imagens em movimento – retocar, tirar objetos, manipular cores e até o movimento da câmera. Por trás está o conceito 3D. O software encara o vídeo como a junção de milhares de fotos (sim, o princípio das películas) e constrói a cena em alto relevo. As imagens reais, para o programa, são texturas, que podem ser modificadas. No vídeo de demonstração (http://is.gd/1t9s), os pesquisadores retiraram virtualmente uma placa da frente de um jardim. Por isso, a partir de hoje, nunca mais acredite em um vídeo (leia mais abaixo). "A barreira da terceira dimensão ainda não foi quebrada. Só agora temos capacidade de processamento e largura de banda na internet para apostar na popularização de experimentos em 3D", afirma o diretor da agência Edgy Leonardo Dias, que aposta no 3D para melhorar o relacionamento de marcas com o consumidor. "A terceira dimensão também está na web." Alguns exemplos recentes mostram que ele tem razão. Tanto o Windows Vista como o principal sistema operacional baseado em Linux, o Ubuntu, têm a opção de navegação em janelas 3D. Em vez do papel de parede plano, há objetos em profundidade que alternam entre pastas e programas em execução. A AT&T, operadora de celular dos Estados Unidos, trabalha no desenvolvimento de um superbrowser, batizado de Pogo (www.pogobrowser.com), que baseia toda a experiência da web em interface 3D: favoritos, abas, buscas. Dentro da web, o buscador Searchme (www.searchme.com) também arrisca uma "navegação visual". Mas, em ambos os casos, exige-se muita memória dos computadores e placas de vídeo competentes. Chega-se ao cerne da questão. Usabilidade na web sempre foi sinônimo de texto, páginas leves, claras e intuitivas – como apregoa o "guru" Jacob Nielsen. A própria experiência diz que esperar uma pesada animação em Flash no site pode afastar visitantes. "Tudo isso começa a virar passado", afirma Leonardo Dias. "Se tiver interesse no conteúdo, o usuário espera sem problemas." Uma coisa é certa: 3D não tem nada a ver com óculos bicolores.

Mais conteúdo sobre:
software

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.