Aceite o não, desfrute do sim

Há uma generalização sobre o caráter nipônico que assevera: por questão de etiqueta, japoneses evitam dizer não, ao menos explicitamente. Idiossincrasias à parte, o pequeno Sanpo (que nem é um izakaya dos mais ortodoxos) destoa da convenção e não se desvia das negativas. Ao lado da porta de correr, na Rua Fradique Coutinho, há o alerta: não tem sushi, temaki, combinado ou rodízio. Cartão de crédito? Também não. E reservas não são feitas por telefone, só via Facebook ou e-mail.

EU SÓ QUERIA JANTAR, LUIZ AMÉRICO CAMARGO, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2014 | 02h07

Isso posto, é preciso explicar que o estabelecimento, com seu acolhedor ambiente de bar, não tem nada de inóspito. Se muito, já que estamos falando de estereótipos, podemos evocar a imagem do oriental de fachada circunspecta, para consumo externo, e temperamento afável. O atendimento do Sanpo é tranquilo, bem informado, e conduz o visitante sem sustos pelas opções do sucinto menu, assim como pela competente e sintética carta de bebidas, com saquê, shochu (de cevada e de batata) e cervejas artesanais.

À frente do projeto estão Evandro Aguiar e Ana Kanamura, ex-proprietários do extinto Itigo - lugar interessante, mas de vida breve, quem sabe com incongruências entre a proposta de izakaya e o ponto nos Jardins - e o cozinheiro Uilian Goya, que trabalhou no Ban, de Masanobu Haraguchi. Seu cardápio abrange três ou quatro otoshis (tira-gostos), poucas entradas, uma dúzia de pratos principais. Alguns deles, mais fiéis ao receituário mais castiço; outros, com leves liberalidades.

O que escolher? Comece observando na lousa as sugestões do dia para as otoshis, que podem ser a kimpira gobo, bardana e cenoura salteadas no óleo de gergelim; um poderoso kimchi de acelga; e, se estiverem disponíveis, gostosos mexilhões à vinagrete (cada opção custa R$ 10; pedindo em trio, sai a R$ 27). Prossiga com um tataki, de corte mais para grosso, servido com alho, cebolinha e gengibre (R$ 24; por esses dias, o peixe escolhido foi o carapau); e com a agenasu (R$ 16,50), berinjela frita e servida em caldo dashi.

Já no ramo das "especialidades" da casa, particularmente numa comparação suína, provei três itens. Pela ordem de preferência, gostei mais do buta no ponzu (R$ 36), barriga de porco muito bem pururucada, com molho ponzu; seguido pelo katsu kare a cavalo (R$ 39,50), com crosta crocante, arroz, ovo frito e um curry de paladar um tanto ameno - um conjunto farto e até compartilhável; e um pouco menos do buta no kakuni (R$ 28), a barriga cozida lentamente, que carecia de pedaços com mais carne, embora o caldo tivesse bastante colágeno. Para concluir, há um bom café expresso e, especialmente, um sorvete de matchá equilibrado e com ótima textura - o que não anda muito fácil de encontrar por aí.

Por que este restaurante?

Pelo conciso e bem feito menu de izakaya. Por que ainda é uma novidade (abriu em fevereiro).

Vale?

Gasta-se entre R$ 50 e R$ 70 por cabeça, sem bebidas, considerando otoshis do dia e um principal. Na verdade, o que determina a conta é quanto você bebe. Vale.

Sanpo

R. Fradique Coutinho, 166, Pinheiros. É preciso reservar: sac.sanpo@gmail.com ou facebook.com/sanpopinhei ros. 19h/23h30 (fecha dom.). Cc.: não tem (só dinheiro ou cartão de débito)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.