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Acidente mata 8 na Fernão Dias

Renato Machado, Vitor Hugo Brandalise e Camilla Haddad - O Estadao de S.Paulo

03 Fevereiro 2010 | 00h 00

Criança de 2 anos está entre as vítimas; 16 pessoas ficaram feridas no choque entre ônibus, caminhão e dois carros

ARRASTADO - Ônibus atravessou mureta de proteção e invadiu pista contrária; todos os corpos resgatados eram de passageiros do veículo

Um grave acidente na tarde de ontem na Rodovia Fernão Dias resultou na morte de oito pessoas, entre elas uma criança de 2 anos. Outras 16 pessoas ficaram feridas. Um ônibus com 39 passageiros atravessou para a pista contrária e atingiu dois automóveis e um caminhão. O motorista, Lúcio Ferreira Pinto, foi preso em flagrante.

 

 

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O ônibus seguia no sentido Minas Gerais da rodovia - fazia a linha São Paulo-Atibaia. O motorista não conseguiu fazer uma curva na altura do km 69, na região de Mairiporã, na Grande São Paulo, e bateu o lado esquerdo no muro central da via. Na delegacia, ele informou que foi "fechado" por um Corsa preto.

Passageiros afirmam que o veículo trafegava em alta velocidade. "Não vejo outra razão para o acidente, a não ser a alta velocidade", diz o engenheiro Lief Nielssen, de 46 anos, que estava na poltrona 3. "O motorista tentou parar jogando o ônibus contra o guard rail. Aí só vi o ônibus ir para o outro lado e os vidros estourando."

Ao atingir o muro, o veículo virou, atravessou para a pista contrária e se arrastou até o acostamento. As janelas estouraram. Muitas pessoas foram arremessadas para a parte do ônibus que estava em contato com o asfalto e arrastadas no chão, e outras foram esmagadas pelo veículo.

"Eu consegui me salvar porque estava usando cinto de segurança. E por isso não fui arremessado. Infelizmente, foi isso que aconteceu com outras pessoas", diz o policial militar Rafael Eloi Consoli do Prado, de 34 anos, que havia saído do trabalho em São Paulo no início da tarde e seguia para sua casa em Atibaia. Ele foi o primeiro a tentar resgatar as vítimas, quebrando os vidros do ônibus.

Quando a Polícia Rodoviária Federal desvirou o veículo, partes de corpos ficaram espalhadas na pista. Todos os oito mortos eram passageiros do ônibus, entre eles um policial militar que havia acabado de se aposentar. Até as 20h, cinco pessoas haviam sido identificadas.

O acidente também provocou feridos em outros veículos. Já na outra pista, o ônibus atingiu primeiro uma Fiat Strada. "Só vi aquele ônibus vindo na minha direção e tentei desviar, mas ainda fui atingido. Graças a Deus, eu estava sozinho", diz o técnico em vendas Silas Novaes, que estava com um corte profundo no rosto e o olho esquerdo inchado.

O ônibus também atingiu um Corolla, onde estava uma família de cinco pessoas, e um caminhão de gesso, que derrubou parte da carga na pista. A Rodovia Fernão Dias ficou fechada por cerca de 3 horas; foi liberada no início da tarde.

Uma equipe da Viação Atibaia acompanhava em Mairiporã, no fim de ontem, as buscas pelo tacógrafo do ônibus envolvido no acidente. Segundo o titular da Delegacia de Mairiporã, Antônio José Pereira, o equipamento desapareceu após a colisão. "Nós encontramos outros oito em uma bolsa do motorista, mas estavam todos zerados."

O sumiço foi um dos indícios para a prisão do motorista, que ainda ontem iria para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Franco da Rocha, também na Grande São Paulo. Ferreira Pinto vai responder por homicídio doloso (com intenção de matar), mas caracterizado por dolo eventual. "O motorista foi displicente. Estava com 40 pessoas sob sua responsabilidade, a maioria sem cinto (de segurança). Mesmo assim, ele excedeu a velocidade."

De acordo com a Assessoria de Imprensa da Viação Atibaia, o motorista trabalha na empresa há quatro anos e nunca apresentou registros de advertências ou mau comportamento em seu histórico. Antes de ser preso, o motorista afirmou à reportagem, após fazer exames médicos, que trafegava a 65 quilômetros por hora.

COLABOROU TATIANA FÁVARO

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