Aécio diz que exposição de Dilma não dá voto; Serra rebate queda

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse nesta terça-feira que a maior exposição da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) não está se revertendo em intenção de voto para a eleição presidencial de 2010.

REUTERS

24 Novembro 2009 | 18h34

"O crescimento que ela vem tendo (no conhecimento da população) é mérito dela e talvez do presidente Lula e não acompanha na mesma proporção o nível de intenção de votos dela", disse Aécio a jornalistas antes de visita ao arquiteto Oscar Niemeyer na zona sul do Rio de Janeiro.

Pesquisa CNT-Sensus divulgada na segunda-feira mostrou, no principal cenário, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), com 31,8 por cento de intenção de voto, seguido por Dilma, com 21,7 por cento, pelo deputado Ciro Gomes (PSB-CE), com 17,5 por cento e a senadora Marina Silva (PV-AC), com 5,9 por cento.

Aécio, que disputa com Serra a chance de se candidatar à Presidência pelo PSDB, perde de Dilma em um cenário entre os dois e a senadora Marina. Dilma ficaria com 27,9 por cento, Aécio com 20,7 por cento e Marina, com 10,4 por cento.

Já em uma dobradinha com Serra, Aécio estaria na frente de Dilma-Michel Temer (PMDB), chegando ao mesmo resultado se o parceiro for o deputado Ciro Gomes.

"Tenho uma amizade com Ciro que independe do humor de A, B ou C. Vejo nesta pesquisa uma sinalização que eu diria interessante", comentou Aécio. Ele reiterou que aguarda uma definição do PSDB sobre a candidatura até dezembro, caso contrário se lançará ao Senado.

SERRA CONTESTA

Serra, em entrevista à rádio Jovem Pan de São Paulo nesta manhã, rebateu resultado da pesquisa que indica uma queda em sua intenção de voto de quase 15 por cento na comparação com dezembro do ano passado.

"Eu não caí, não é verdade, se comparar com um ano atrás, tem que olhar pesquisas que são comparáveis. Se mudar os times não dá para comparar um ano com outro", disse Serra na entrevista.

No final de 2008, o tucano tinha 46,5 por cento das intenções de voto, enquanto Dilma aparecia com 10,5 por cento. No cenário, no entanto, aparecia também a ex-senadora Heloisa Helena (PSOL), que não deve se lançar à sucessão. Ciro e Marisa apareciam nesse quadro de candidatos.

Serra saiu em defesa da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Na comparação entre o governo Fernando Henrique e Lula, segundo a Sensus, 76 por cento dos entrevistados dizem que o de Lula é melhor.

"A questão do Fernando Henrique foi enfiada de contrabando na pesquisa, provavelmente para terem o que comentar. O presidente Fernando Henrique largou o mandato em 2002. Todos os problemas apontados na época já poderiam ter sido resolvidos", afirmou Serra, para quem foi nesta época que se conquistou a estabilidade da moeda e foi iniciado o Bolsa Família.

Serra, que manteve o suspense sobre sua candidatura, afirmou que o bom desempenho do cenário econômico não deve ser decisivo na eleição do ano que vem.

"A percepção de que a economia vai bem é um dado da realidade. Eu não acredito que isso vá decidir ou deixar de decidir a eleição."

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Carmen Munari)

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