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Afegãos votam em meio a ameaças

Agência Estado

05 Abril 2014 | 08h 17

Afegãos começaram a votar nas eleições presidenciais deste sábado divididos entre o medo da violência do Taleban e a esperança de que um governo transparente comande o país depois da retirada das forças norte-americanas. Apesar de ameaças do Taleban de atacar eleitores, longas filas se formaram nos locais de votação em Cabul e de outras grandes cidades.

"Não estou com medo, apenas se morre uma vez", disse Jamil, trabalhador de um hotel que ficou junto de dezenas de homens numa mesquita a qual recebeu as urnas num distrito de Cabul. "Estamos votando para tornar nosso futuro mais claro e escolher um líder que nos traga paz e segurança", disse Mohammed Yussef, outro empregado de um hotel.

Houve ataques dispersos do Taleban pelo país. Em áreas dominadas por insurgentes, moradores disseram que não estava ocorrendo votação. Até o final da manhã, porém, não houve notícias de derramamento de sangue que pudessem interromper as eleições.

Relatos de fraude também começaram a surgir. No distrito de Syedabad, na província central de Wardak, um oficial de polícia e o chefe de inteligência foram presos sob acusação de violar cinco urnas, disse o ministro do Interior afegão. Também houve relatos de oficiais presos em outras províncias.

A eleição histórica deste sábado, se bem sucedida, pode marcar a primeira transferência democrática de poder na sangrenta história do Afeganistão. Muito depende do desenrolar das eleições: uma votação vista como legítima é necessária para a continuidade da ajuda internacional uma vez que o mandato da coalizão liderada pelos Estados Unidos acaba em dezembro.

Hamid Karzai, que não pode concorrer novamente, votou num colégio perto de sua casa em Cabul no início da manhã. Ele disse que esperava um bom comparecimento apesar do clima frio, da chuva e de todas as ameaças de inimigos do Afeganistão.

Forças de segurança afegãs permanecem em diversos pontos do país para garantir a segurança das eleições. Em Cabul, atiradores foram colocados no topo de prédios e policiais com granadas e armamentos pesados vigiam cruzamentos. Por ordens do governo, companhias telefônicas suspenderam serviços de mensagens de texto. O Taleban disse ter havido dezenas de ataques no sábado, mas muitos foram negados pelo governo. Fonte: Dow Jones Newswires.