André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Alckmin já se equilibra entre 2 palanques

Pré-candidato ao Planalto, governador de São Paulo tem dois aliados na sucessão no Estado: o tucano João Doria e vice Márcio França (PSB)

Daniel Weterman e Pedro Venceslau , O Estado de S.Paulo

20 Março 2018 | 05h00

Um dia após o prefeito João Doria vencer as prévias do PSDB para ser o candidato tucano ao governo de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin fez nesta segunda-feira, 19, seu primeiro gesto de apoio ao tucano, mas também distribuiu afagos ao vice-governador Márcio França, que vai disputar o Palácio dos Bandeirantes pelo PSB. 

Questionado se pedirá votos para Doria e França ao mesmo tempo, Alckmin desconversou e disse que a campanha começa apenas em agosto. O governador ficou neutro nas prévias e não participou da festa de vitória de Doria na sede do PSDB na capital, no domingo, 18. 

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“O candidato do meu partido será o João Doria, portanto estaremos juntos”, disse Alckmin a jornalistas após participar de um evento na sede do governo. Sobre França, afirmou que o vice está preparado para assumir o governo de São Paulo. “São quatro anos nos acompanhando. A candidatura é extremamente legítima.” França assumirá o governo em abril, quando Alckmin deixará o cargo para ser candidato à Presidência.

O governador esteve ao lado do vice em evento de assinatura de convênios com cerca de 100 prefeitos do Estado. Alckmin voltou a falar do quadro de fragmentação partidária no País, que permite o duplo palanque em São Paulo, e não respondeu por que não foi ao ato de comemoração da vitória de Doria. 

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Ao ser anunciado para discursar, França foi bastante aplaudido e saudado como “nosso governador”. O secretário da Saúde, David Uip, disse que o pessebista tem “total competência” para assumir o governo. 

Farpas. O vice-governador reagiu nesta segunda-feira à entrevista de Doria ao Estado na qual o tucano afirmou que França está alinhado com a “extrema-esquerda”, enquanto ele estaria “em outro campo”. “Acho que esse é um discurso atrasado, mais para o passado do que para o futuro. O problema do Doria é não cumprir a palavra. Ele não tem palavra. Isso inibe as pessoas de terem confiança nele”, disse. 

+++Dores tucanas

França afirmou ainda que o governador “já fez a escolha” quando o convidou para ser vice. “Ele sabia que iria sair e que eu ficaria no lugar dele. De certa forma (Alckmin) já escolheu quem gostaria que os paulistas tivessem como governador.”

O vice disse que ajudou a eleger Doria prefeito em 2016 e que a diferença entre os dois está em “cumprir a palavra”. “Não quero dizer que ele não seja competente. Ele é, mas na medida em que ele não cumpre a palavra, as pessoas ficam desconfiadas e acho que isso vai ter uma consequência grande para ele.” França afirmou que a campanha vai ser feita “com respeito”, a Doria. “Mas não tira a marca: a palavra não cumprida.”

Nesta segunda-feira, Doria minimizou a ausência de Alckmin nas prévias. “A primeira ligação que recebi foi a do governador Geraldo Alckmin me cumprimentando e dizendo: ‘Agora juntos. A sua candidatura é a candidatura do PSDB’”, afirmou. 

Ao se referir a França, Doria repetiu que o vice está do lado oposto ao seu. “Seu partido, o PSB, está alinhado com o PT no Norte e Nordeste, defendendo Lula e os outros criminosos do PT. Nosso campo é distinto.” / COLABOROU ADRIANA FERRAZ

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