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Alvaro Dias: ministro ofereceu 'respostas superficiais'

12 de janeiro de 2012 | 18h 09
ROSA COSTA - Agência Estado

O líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), criticou hoje o desempenho do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, na comissão representativa do Congresso, por entender que ele, até agora, deu "respostas superficiais" às indagações dos parlamentares, sem aprofundar ou permitir réplica às suas respostas. "É o mesmo modelo de depoimento de tantos ministros que vem ao Congresso Nacional, eles escolhem a pergunta que devem responder, fogem de questões essenciais e escamoteiam a verdade", acusa.

Na avaliação de Dias, tal procedimento segue a orientação do Palácio do Planalto. "A mentira tem sido manipulada como arma poderosa do governo para defender suas irregularidades e nós não podemos aceitar que subestime a inteligência da parte lúcida do país", afirma. O líder tucano entende que o modelo escolhido pelo governo "estabelece uma relação de promiscuidade, que destina recursos favorecendo a alguns em detrimento de outros". "E esse favorecimento pessoal, familiar, partidário, contraria a Constituição quando fala em impessoalidade e moralidade pública e diz também respeito ao principio da isonomia entre os entes federativos", afirmou.

Como autor do requerimento convocando Fernando Bezerra a prestar contas na comissão representativa, Alvaro Dias foi o primeiro parlamentar a questioná-lo. O tucano levou para o plenário um relatório com as principais denúncias feitas contra Bezerra Coelho, do favorecimento a Pernambuco com 90% das verbas públicas da pasta da Integração destinadas à prevenção de enchentes e outros desastres naturais ao fato dele ter burlado a súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbe o nepotismo no serviço público.

As respostas de Bezerra, no entanto, foram mais resumidas do que as perguntas que lhe foram dirigidas. Ele sintetizou suas explicações, alegando que os dados publicados pela imprensa estavam errados ou "deixando no ar" as indagações mais difíceis de responder. "As perguntas mais instigantes e necessárias ficam sem respostas sempre. Esse é o modelo de questionamento em audiência pública. É o modelo que favorece o depoente na medida em que ele responde o que pode responder ou o que acha que deve responder", criticou Dias.

O líder tucano reconheceu que a situação da oposição frente à maioria do governo é "difícil", mas que ainda assim é necessário insistir para levar ao Congresso os gestores públicos acusados de irregularidades. "Temos de insistir. Essa audiência pública teve para nós o objetivo de colocar luz, de levar à população mais informações para que ela possa julgar se o governo está aplicando corretamente o dinheiro público ou se está aplicando na forma de favorecimento ilícito", concluiu.