ANÁLISE-Argentina volta a aumentar exportação de trigo ao Brasil
Após incertezas nas exportações de trigo ao Brasil nos últimos anos, a Argentina fechará 2011 com um aumento nas vendas externas do cereal para o seu principal comprador, apontam dados do Ministério da Agricultura brasileiro.
Na última safra (2010/11), os argentinos tiveram uma de suas maiores colheitas da história, permitindo que o governo do país liberasse volumes adicionais para a exportação nesta terça-feira.
A Argentina autorizou licenças para vendas externas de mais 2,7 milhões de toneladas, confirmando que o país conta com um excedente exportável expressivo, disseram fontes do mercado no Brasil.
"Eles (argentinos) têm atendido melhor, apesar de continuarem cobrando (do produtor) uma taxa de 23 por cento sobre o valor do trigo que é exportado", disse o presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo), Luiz Martins.
Além de cobrar taxas na exportação de matérias-primas como trigo, a Argentina controla os embarques para o exterior, com o argumento de manter o mercado interno abastecido e a inflação controlada.
Essa política restritiva levou nos últimos anos o Brasil a recorrer com mais frequência a outros países, como Uruguai, Paraguai e até Estados Unidos e Canadá, o que explica em parte uma queda no volume importado da Argentina.
Mas a situação recente confirma o início de um retorno à normalidade histórica, após o governo argentino ter demonstrado mais compromissos com o seu principal comprador.
De janeiro a outubro, o Brasil já importou 3,7 milhões de toneladas de trigo da Argentina, volume que supera o total importado em todo o ano passado (3,6 milhões) e também as importações feitas em 2009 (3,2 milhões de toneladas), segundo informação do Ministério da Agricultura do Brasil.
Com a recente liberação de mais trigo da safra passada da Argentina para a exportação, a importação do cereal pelo Brasil poderá voltar em 2011 aos patamares registrados em 2008 (4,2 milhões de toneladas), ainda que seja improvável que cheguem ainda este ano aos mais de 5 milhões de toneladas de 2007 e 2008.
Segundo Martins, a liberação de mais trigo para exportação - é provável que o Brasil tome a maior parte dos 2,7 milhões de toneladas autorizados - favorece a indústria brasileira, que têm laços comerciais históricos com os fornecedores argentinos.
"A gente sempre está procurando fazer qualidade, em termos de farinha, vamos buscar onde encontramos preço e qualidade", disso Martins, também presidente do sindicato da indústria de São Paulo, argumentando que a safra do Paraná não tem vindo com qualidade adequada para farinha para panificação.
O volume importado da Argentina cresceu apesar de o país ter reduzido as suas importações totais entre janeiro a outubro para 4,65 milhões de toneladas, ante 5,3 milhões de toneladas nos dez primeiros meses de 2010, segundo o ministério --na temporada passada o Brasil colheu uma de suas maiores safras da história, o que reduziu a necessidade de importação como um todo.
GARANTIA DE OFERTA
A liberação de mais trigo argentino para exportação ocorre em meio à expectativa de queda nas safras da Argentina e do Brasil em 2011/12, o que garante um volume extra para o abastecimento para os moinhos brasileiros.
"Os 2,7 que vão liberar é mais oferta que vai aparecer no mercado", disse um diretor de um importante o moinho brasileiro que prefere ficar no anonimato, lembrando que os argentinos já prometeram a autorização para 3 milhões de toneladas de trigo da safra nova.
"Está relativamente tranquilo negociar, o que não falta é trigo na América do Sul, aliás não falta trigo no mundo", disse.
Segundo a fonte, o próprio governo da Argentina havia informado anteriormente que teria estoque inicial de 3,6 milhões de toneladas na safra 11/12, o que explica a liberação das exportações adicionais.
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