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ANÁLISE-PSDB ainda precisa expor Aécio e melhorar comunicação em 2014

10 de dezembro de 2013 | 16h 24
EDUARDO SIMÕES - Reuters

Historicamente principal antagonista do PT, o PSDB entrará em 2014 com os desafios de tornar seu provável candidato à Presidência, o senador mineiro Aécio Neves, mais conhecido e melhorar sua comunicação para atingir uma parcela maior do eleitorado.

Ao término de um ano em que viram os índices de popularidade da presidente Dilma Rousseff despencarem em meio a protestos de junho sem conseguirem aproveitar o momento para ganhar terreno, os tucanos se apegam ao desejo de mudança apontado pelas últimas pesquisas para voltar a governar o país em 2015.

"A oposição deixou passar essa janela de oportunidade e vai precisar trabalhar muito em 2014", disse o analista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria Integrada, referindo-se à perda de popularidade do governo petista em meio aos protestos.

"Exagerando um pouco, o que ocorreu foi: o governo perdeu apoio político, e a oposição não ganhou."

O balanço do desempenho tucano no ano é misto. Se por um lado não conseguiu capitalizar na perda de popularidade de Dilma, por outro, a chegada de Aécio à presidência da legenda o fortaleceu como principal nome para disputar 2014, saindo um pouco da sombra do ex-governador de São Paulo José Serra.

"Nesse ano, nós conseguimos unificar o partido e temos um candidato competitivo, que não é mais secreto e tem um longo caminho pra percorrer", disse à Reuters o deputado federal Sérgio Guerra (PSDB-PE), antecessor de Aécio no comando do PSDB.

No entanto, apesar de Aécio ter consolidado sua posição como provável candidato tucano à Presidência, essa vitória é apontada como "parcial" por analista, já que Serra, eterno postulante à candidatura tucana ao Planalto, ainda sinaliza interesse em ser candidato e, como definiram alguns tucanos, deve seguir insistindo em dividir espaço com o mineiro.

Outro fator que tem animado os tucanos e tomado conta de seus discursos é o sentimento de mudança apontado por pesquisas eleitorais recentes.

Segundo o Ibope, 24 por cento dos entrevistados querem que o eleito em 2014 mude completamente o governo, enquanto outros 38 por cento querem a manutenção de alguns programas acompanhadas de grandes mudanças. Já o Datafolha apontou que 66 por cento do eleitorado prefere que as ações do próximo presidente sejam, de modo geral, diferentes das ações tomadas por Dilma.

Mas para estar fortalecidos em 2014 e aproveitar esse sentimento de mudança, os tucanos ainda precisam tornar Aécio mais conhecido entre o eleitorado e, principalmente, melhorar a comunicação, na opinião de analistas.

"A oposição não sabe fazer uma oposição forte, estratégica. A oposição tem que saber fazer oposição desde o primeiro dia de governo", disse o analista político da Arko Advice Cristiano Noronha.

"Precisa fazer a crítica certa. A oposição critica o governo por não fazer o superávit primário. Quem da opinião pública sabe o que é superávit primário?", acrescentou.

Os tucanos têm centrado seu fogo contra o governo na seara econômica. Analistas, no entanto, apontam que esse discurso tem dificuldade de "colar" no eleitorado que, como ficou demonstrado nas manifestações, está mais preocupado com questões que afetam seu dia-a-dia, como a qualidade dos serviços públicos.

"Isso não será esquecido", disse à Reuters o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), um dos que têm estado mais próximos de Aécio dentro do partido. Segundo o senador, o PSDB vai anunciar no próximo dia 17 em Brasília sua agenda para o país com destaque em saúde, educação, mobilidade urbana e segurança pública.

"Agora, nós temos uma consciência que não é apenas no Brasil, é no Brasil e no mundo, quando você vai para uma eleição nacional, o eleitor primeiro olha para as questões econômicas", defendeu.

O evento do dia 17 na capital federal servirá para os tucanos atacarem em outra frente crucial para estarem bem posicionados em 2014, aumentar o nível de conhecimento de Aécio entre o eleitorado.

O senador mineiro tem viajado o país neste ano em eventos do PSDB, na maioria das vezes ao lado de lideranças do partido, inclusive serristas como o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Isso, no entanto, não tem inibido Serra, que também se movimentou pelo país em 2013.

"O PSDB precisa criar fatos políticos novos sistematicamente... Evitar dissidências internas e fazer com que os principais nomes caminhem todos na mesma direção", disse Cortez, da Tendências.

CONFIANÇA, MESMO COM CAMPOS E MARINA

Tanto Cortez quanto Noronha, da Arko Advice, apontam Dilma como favorita à reeleição no ano que vem, embora reconheçam que as pesquisas eleitorais, que indicam que Dilma seria reeleita no primeiro turno, ainda refletem o maior conhecimento que a presidente tem entre o eleitorado.

"Até o (ex-presidente) Lula, no auge da sua popularidade, não conseguiu vencer no primeiro turno", disse Cunha Lima. "Nós temos potencial de largada de 40 por cento do eleitorado brasileiro. O que nos cabe é sensibilizar 10 por cento, 11 por cento a mais."

O PSDB teve também de digerir neste ano o surgimento da aliança entre o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, e a ex-senadora Marina Silva, que não conseguiu emplacar a sua Rede Sustentabilidade.

Se por um lado a aliança ajuda a quebrar a polarização PT-PSDB, que tem sido prejudicial aos tucanos, por outro coloca em dúvida a presença de Aécio num eventual segundo turno contra Dilma.

O presidente tucano, no entanto, se mostrou confiante.

"O PSB tem uma candidatura colocada e essa candidatura faz bem à democracia", disse Aécio a jornalistas em Sorocaba no último sábado.

"Espero por outras candidaturas, seja de Eduardo, de Marina. Para nós, outras candidaturas aprofundam o debate e aprimoram a democracia. Mas quem vai para o segundo turno é o PSDB, que vai vencer as eleições", garantiu.

(Reportagem adicional de Jeferson Ribeiro, em Brasília)



Tópicos: POLITICA, AECIO, CATORZE*

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