Analista ouviu quatro diagnósticos

Nome da doença foi descoberto após dez anos

O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2012 | 02h06

Há dez anos, a analista de resultados Monika Jordão Ribeiro Lourenzo, de 29 anos, teve as primeiras manifestações de uma doença de pele que mudaria sua rotina. Ela passou a desenvolver abscessos semelhantes a furúnculos nas nádegas, seios e coxas. O primeiro diagnóstico foi de acne agressiva. Como o creme antiacne não deu bons resultados, outro dermatologista sentenciou que ela tinha "sangue sujo" e deveria tomar um comprimido diário de aspirina infantil, além de usar sabonetes especiais e esfoliantes.

Depois, veio a sugestão de que o problema devia-se a cistos no ovário, hipótese descartada por seu ginecologista. Outra médica limitou-se a dizer que ela "tinha predisposição ao problema". Quando os abscessos tornavam-se maiores, ela ia ao pronto-socorro para ser tratada.

"Não me conformava de não saber o que era isso. Ninguém explicava o que eram as marcas. Queria tratar a origem." O diagnóstico correto só veio há duas semanas: hidradenite supurativa, uma doença crônica que afeta as glândulas sudoríparas. Saber o nome da doença foi importante, mas Monika logo descobriu que, além de não haver tratamento definitivo, sua dermatologista mostrou-se pouco interessada em buscar uma solução.

O bacharel em Direito Mauricio, de 31 anos, que preferiu não divulgar o sobrenome, passou pelo mesmo problema. Desde os 18 anos tinha abscessos, mas nenhum dermatologista fazia o diagnóstico correto. Recentemente, uma cirurgiã plástica identificou a doença. "Dos três dermatologistas que consultei, nenhum sabia de fato o que era."

Para Monika, os médicos "estão muito preocupados em aplicar botox e não têm conhecimento de doenças de pele". Em uma das clínicas onde foi atendida, sentiu-se deslocada por ter uma doença. "Era um lugar chiquérrimo. Senti que não estava no lugar certo. A medicina mudou, parece que todos os médicos viraram esteticistas", diz. / M.L.

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