Animação ultra-realista inicia nova era na computação gráfica

Tecnologia inovadora vai definir novos parâmetros para animações em video-games e em filmes

Jonathan Richards, The New York Times

26 Agosto 2008 | 19h52

Personagens que se parecem muito com seres humanos reais vão começar a aparecer em animações de computação gráfica e em jogos de video-game graças a um novo tipo de tecnologia de animação.   Veja também: Animação mostra Emily conversando   Emily (na foto) foi produzida usando uma nova tecnologia de modelagem que permite que até os detalhes mais insignificantes de uma expressão facial sejam capturados e recriados.   Ela é considerada uma das primeiras animações a ultrapassar uma barreira que está de pé há tempos, conhecida como 'vale do absurdo' - que se refere a percepção de que quanto mais a computação gráfica se aproxima de reproduzir com fidelidade o ser humano, menos realista ela parece.   Pesquisadores de uma empresa californiana que produz imagens geradas por computadores para filmes de Hollywood começaram com o vídeo de uma funcionária falando. Então, dividiram os movimentos faciais em dúzias de movimentos menores, e deu a cada um dele um 'sistema de controle'.   A equipe da Image Metrics - que foi responsável pela produção gráfica do jogo Grand Theft Auto - então recriaram os gestos, movimento por movimento, em um modelo. A mira era vencer a habituais dificuldades para animar um rosto humano, por exemplo a pele parecer muito brilhante ou os movimentos parecerem muito simétricos.   '90% do trabalho está convencendo as pessoas de que os olhos são de verdade', disse Mike Starkenburg, chefe de operações da Image Metrics.   "A sutileza dos movimentos dos olhos é uma grande vantagem. As pessoas também são naturalmente assimétricas - por exemplo, os músculos nos lados do rosto. Esses tipos de imperfeição não parecem significantes mas são o que fazem as pessoas parecerem 'de verdade'."   Métodos anteriores para animação de rostos envolviam colocar pontos na face e monitorar para onde eles se moviam, mas a Image Metrics analisa os movimentos faciais pixel por pixel em um vídeo, o que significa que as menores variações - como a maneira como a pele se enruga ao redor dos olhos - pode ser captada.   Por muitos anos, os animadores têm lutado contra a barreira conhecida como 'vale do absurdo', que se refere ao fato de que, quanto mais as animações se aproximam da aparência humana, mais elas ganham aparência de cadáveres, semelhante a alguns filmes de terror.   Como resultado, os animadores de jogos de video-game simplificaram propositalmente suas criações, para que os jogadores percebessem imediatamente que elas não eram reais.   Na semana passada, a AMD lançou um novo chip com um bilhão de transistores, que será capaz de mostrar criações como Emily permitindo um número muito maior de processamentos por segundo.   Ainda assim, de acordo com Raja Koduri, chefe de tecnologia em gráficos da AMD, a linha entre o que é real e o que foi projetado graficamente só será apagada completamente por volta de 2020. Houve muitos avanços na computação gráfica nos últimos anos.

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