Após 54 anos no centro de SP, Othon fecha as portas

Hóspedes passaram a trocar o Othon por hotéis na região da Avenida Paulista

AE, Agência Estado

17 Dezembro 2008 | 08h48

Um dos ícones da rede hoteleira paulistana, o Othon Classic, no centro velho de São Paulo, fechou suas portas após 54 anos de atividade. O hotel, um dos quatro-estrelas mais badalados da cidade, acabou sendo vítima da debandada dos hóspedes para unidades na região das Avenidas Paulista e Engenheiro Luís Carlos Berrini. Agora, a torre de 25 andares vizinha à Praça do Patriarca e ao Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura, será colocada à venda por cerca de R$ 25 milhões. "A localização é privilegiada, tem um bom apelo comercial", disse Álvaro Brito Bezerra de Mello, presidente da Rede Othon no Brasil e da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih). A agonia do Othon Classic se intensificou nesta década. Para procurar salvá-lo, o escritório central, no Rio, tentou de tudo: baixou o padrão, reduziu as tarifas e, por fim, passou a funcionar com apenas metade de seus 260 apartamentos. "A diária média caiu para R$ 90, R$ 100. Era um valor impraticável", argumentou Mello. "Na região da Paulista, por exemplo, os hotéis menos luxuosos cobram pelo menos o dobro." Durante um ano e meio, disse o empresário, a unidade operou no vermelho, tendo de ser socorrida pelos outros hotéis da rede. "Chega uma hora que você tem de ser realista. Não somos como o Copacabana Palace. O hotel estava morrendo, não dava mais para financiar aquela situação. Foi quando resolvemos fechar", relembra o proprietário. Os cerca de cem funcionários tiveram de ser dispensados por falta de vagas nos outros três empreendimentos da rede na capital. "Fizemos uma bela festa, relembramos os velhos tempos e choramos muito ao nos despedirmos", contou o dono do hotel.

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