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Após vazamento, Inep ameaça processar repórter

07 de novembro de 2010 | 20h 31
MONICA BERNARDES - Agência Estado

O segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em Recife foi marcado pelo vazamento do tema da redação, minutos depois do início das provas. Um repórter do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), que estava inscrito no Enem, entrou na sala com um celular ligado no bolso e após receber o caderno de provas foi até o banheiro, de onde mandou uma mensagem pelo celular (torpedo) informando que o tema da atividade era "O trabalho na construção da dignidade humana". A notícia foi postada no site do SJCC (www.jconline.com.br) às 13h26 e ganhou repercussão em todo o País.

Horas depois, a Assessoria de Comunicação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira divulgou, através do Twitter, a disposição da entidade em processar o repórter por ter cometido "ato ilícito ao atentar contra as regras do exame". Para o Ministério da Educação, o fato de um repórter ter conseguido informar qual era o tema da redação de dentro de um local de prova não configurou falha na segurança do Enem. Segundo assessoria da MEC, o repórter "não usou o aparelho dentro da sala de aula" nem "recebeu a redação ou informações sobre a prova" por meio do aparelho.

Além de mandar a mensagem com o tema da redação, o repórter do SJCC afirmou ter utilizado lápis e borracha - também proibidos pela organização do Enem, conforme declaração publicada no site do JCOline. "Consegui fazer a prova inteira sem ser advertido, inclusive o rascunho da redação. Era um lápis de madeira comum, e não uma lapiseira que parecesse com uma caneta", explicou. Ele entrou, ainda, com relógio na sala, mas foi orientado pelo fiscal para guardá-lo.

Em nota oficial, publicada no site do JCOnline às 18h51, o SJCC afirma que o vazamento "expõe fragilidade do exame" e nega prejuízos aos candidatos. "O portal do SJCC afirma que a divulgação do tema da redação não configura qualquer tipo de prejuízo para os estudantes, uma vez que estes estariam em sala de provas durante a repercussão do fato. E, teoricamente, sem acesso a meios digitais para obter qualquer tipo de benefício desta informação. Antes, foi uma forma de denunciar uma estrutura de realização comprometida pela falta de fiscalização".


Tópicos: Educação, Enem, Vazamento