Polícia Federal
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Apreensão de droga de ‘Breaking Bad’ cresce 254%, diz PF

Quantidade de metanfetamina apreendida em Cumbica já ultrapassa total de 2015

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

13 Agosto 2016 | 18h44

A apreensão de metanfetamina no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, uma das principais portas de entrada da droga no País, saltou 254% no primeiro semestre deste ano. Até junho, segundo a Polícia Federal (PF), os policiais haviam encontrado 78,6 quilos da substância, ante 22,2 quilos no mesmo período de 2015. O valor também já ultrapassa todo o ano de 2015, quando foram apreendidos 57,2 quilos. 

A metanfetamina brasileira é diferente da que ficou conhecida na série americana Breaking Bad. Ao contrário dos EUA, onde a substância é apresentada no formato de cristais e pode ser fumada ou aspirada, aqui ela é vendida em comprimidos.

Em maio deste ano, a Receita Federal fez a maior apreensão de metanfetamina achada com um único passageiro no aeroporto. A equipe de fiscalização de bagagem da alfândega de Guarulhos encontrou 11 quilos da droga, escondidos em fundo falso e em duas mochilas trazidas por um brasileiro vindo da Europa. Foi a segunda grande apreensão no ano em Cumbica – em abril, um traficante foi pego com 8 quilos no aeroporto.

“Percebemos até que já existe um desvio da rota em razão das apreensões. Temos informações de que a droga tem sido apreendida no Recife e em Porto Alegre”, disse ao Estado o delegado-chefe da delegacia especial da PF em Guarulhos, Marcelo Ivo de Carvalho. “Aprimoramos os controles e temos um trabalho mais intenso em relação à interdição desse entorpecente. Mas é difícil dizer se houve uma maior procura”, declarou.

De acordo com ele, a maior parte da droga vem do exterior. “Às vezes, uma mesma ‘mula’ (que carrega as drogas) faz duas operações: envia a cocaína para o exterior e, na volta, traz uma substância sintética para o Brasil. É uma forma de ganhar mais dinheiro”, explicou o delegado. Em um dos flagrantes, segundo o policial, a “mula” recebeu R$ 50 mil pelo serviço.

O Brasil também é produtor, em menor escala, do entorpecente. A metanfetamina, segundo especialistas, é uma das drogas mais fáceis de serem sintetizadas pelos bandidos. “Dá para fazer em qualquer laboratório clandestino. Mas, ao mesmo tempo, a molécula acaba sendo mais nociva, aumentando o risco de desencadear transtornos de pânico e ansiedade”, diz a psicóloga e pesquisadora do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Clarice Madruga.

A pesquisadora afirma que, hoje, é praticamente impossível identificar o que são as drogas usadas no País sem ajuda de um laboratório. “São todas vendidas como se fossem LSD ou ecstasy, que já viraram nome genérico para um grupo quase infinito de drogas.”

Clarice alerta que os usuários as consomem sem saber exatamente o que estão tomando. As versões mais disponíveis e baratas, diz ela, são quase invariavelmente mais nocivas. “A maioria dessas drogas tem, além do efeito psicodélico procurado, um efeito estimulante muito forte. Requerem muito do cérebro e trazem mais sequelas a curto e a longo prazo. Podem afetar demasiadamente a memória e aumentar as chances de desencadear transtornos de ansiedade e depressão permanentes.”

‘Tradicionais’. No Estado, a maior quantidade de apreensões feitas pelos federais está concentrada nas drogas sintéticas tradicionais. Só no ano passado, a PF apreendeu 381,5 mil comprimidos de ecstasy, 248 frascos de lança-perfume e 4,3 mil selos de LSD. Mas o avanço dessas substâncias “pirateadas” ou das drogas mais baratas que simulam as tradicionais preocupa a PF. Ela já apreendeu em Cumbica porções de 25I-NBOMe, em diferentes variações, 25C-NBOME e etilona.

O diretor do Departamento de Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, diz que substâncias como o NBOMe têm surgido em pequena escala. “Mas o público é outro. Os traficantes estão atingindo um mercado que não existia. Muitas vezes desenvolvem essas fórmulas no exterior, e os traficantes tentam copiar aqui”, disse.

Ele destaca que esse tipo de substância, diferentemente das drogas convencionais, é vendida pela internet. “Estamos monitorando esse comércio há pelo menos dois meses”, afirmou o diretor do Denarc.

Paraná: anfetamina.O Estado do Paraná concentrou 70% de toda a anfetamina apreendida pela Polícia Federal no País no ano passado. Segundo os dados do levantamento da corporação, foram 629,7 mil unidades encontradas no Estado, de um total de 894,5 mil no ano. Goiás aparece em seguida, com 126,3 mil unidades.

Apesar do crescimento das substâncias sintéticas, as drogas mais apreendidas continuam sendo maconha e cocaína, considerando todos os Estados do País. No ano passado, a Polícia Federal apreendeu 270 toneladas de maconha, um recorde em toda a série histórica desde 2005, quando 142 toneladas chegaram a ser apreendidas. 

No caso da erva, a distribuição ocorre em todos os Estados, mas São Paulo lidera a lista, com 83,4 toneladas apreendidas pela PF. Já a cocaína teve apreensão de 27,2 toneladas no ano passado, quantidade superior ao que foi apreendido em 2005 – 17,5 toneladas. A droga se concentrou nos Estados de São Paulo (7,6 toneladas) e Mato Grosso do Sul (3,2 toneladas). 

 

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