Aqui, o show vale mais que o sabor

Não basta ser grife no ramo, saber cozinhar e dar pitaco no prato de aprendizes de fogão. Com formato internacional replicado mundo afora, o MasterChef depende, antes de mais nada, do elenco de mestres escalado para cada versão e do efeito que a sintonia entre eles causa ao show da TV. Henrique Fogaça, Paola Carosella e Erick Jacquin, aparentemente tão distintos um do outro, produzem uma química muito feliz nesse enquadramento. Some a isso uma direção segura de quem filma o passo a passo de cada sentença proferida por eles e comanda uma edição em que até efeitos sonoros ajudam a criar o suspense capaz de seduzir o telespectador. Como todo Big Brother, o MasterChef vem pronto de fora, mas a competência em adaptar o menu ao gosto local, sem desprezar os ingredientes da receita original, cabe à equipe local. Até a escolha por Ana Paula Padrão, a princípio estranha aos olhos de quem sempre a viu na bancada de telejornais, honrou o produto final. O nome da jornalista foi o primeiro chamariz para atrair uma gama de anunciantes. E, ciente de sua condição de coadjuvante, ela logo se mostrou à vontade no papel. O protagonismo cabe aos chefs. Por mais rudes que pareçam ser, nenhum deles chega ao nível de grosseria de Gordon Ramsay, ícone de rudeza na cozinha. Jacquin não é exatamente gentil, mas não eleva o tom de voz. Fogaça impõe algum temor só pela imagem do careca tatuado de voz grave, e Paola, ainda que exigente e incisiva, tem a seu favor uma feminilidade que acaba por amenizar a cara de mau do trio. Química perfeita.

É CRÍTICA DE TV DO ESTADÃO, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2014 | 02h08

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