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Avó quer reabrir inquérito da morte da mãe de Bernardo

ELDER OGLIARI - Estadão Conteúdo

28 Agosto 2014 | 20h 17

O advogado Marlon Adriano Balbon Taborda, representante de Jussara Uglione, avó do menino Bernardo Uglione Boldrini, vai pedir pela segunda vez a reabertura do inquérito que investigou a morte da mãe do garoto, Odilaine Uglione. Depois de ver a primeira solicitação rechaçada pela Justiça de Três Passos (RS) em julho deste ano, a família entende que um fato novo, a gravação de uma briga entre o garoto, o pai dele, o médico Leandro Boldrini, e a madrasta Graciele Ugulini, pode convencer o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul a rever o caso.

"Há uma espécie de confissão subliminar na frase ''teu fim vai ser igual ao da tua mãe''", acredita o advogado, referindo-se a palavras ditas pela madrasta a Bernardo durante a discussão. O vídeo gravado pelo casal durante a briga, em agosto do ano passado, resgatado pela perícia do celular de Leandro e encaminhado ao processo, revela detalhes da falta de harmonia na casa do médico e faz referências que podem ajudar a Justiça a chegar a uma conclusão sobre a trágica história do garoto.

Em 2010, Odilaine morreu dentro do consultório de Leandro. O inquérito policial concluiu que ela se suicidou. Pouco tempo depois Leandro se casou com Graciele. A relação conflituosa da nova família formado pelo médico é resumida no vídeo tornado público esta semana por emissoras do Grupo RBS, com versão resumida na quarta-feira e ampliada nesta Quinta-feira.

Em abril deste ano, Bernardo, que já tinha uma meia irmã de pouco mais de um ano, foi encontrado morto em Frederico Westphalen, a 80 quilômetros da residência da família, que fica em Três Passos. O garoto tinha 11 anos. Acusados de planejamento e execução e participação no crime, Leandro, Graciele e mais os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz estão presos preventivamente e são réus do processo, que não tem data para ser julgado.

O primeiro pedido de reabertura da investigação da morte de Odilaine foi rejeitado pelo juiz Marcos Luís Agostini em 28 de julho deste ano. Ao alegar que o que correu pode ter sido homicídio e não suicídio, o advogado relatou que o corpo tinha lesões no antebraço direito e lábio inferior e vestígios de pólvora na mão esquerda, lembrando que a vítima era destra.

O juiz, porém, entendeu que não havia fato novo que justificasse a retomada do caso. Para isso, citou a conclusão de que a mão direita segurava o revólver auxiliada pela esquerda e que as lesões no antebraço foram decorrentes de punções venosas feitas no hospital na tentativa de salvar a vida de Odilaine.

Vídeo

Divulgado pelos veículos da RBS na internet nesta quinta-feira, 28, o vídeo de 13 minutos com a quase toda a sequência da briga familiar entre o garoto Bernardo Boldrini e seu pai, o médico Leandro Boldrini, e sua madrasta, Graciele Ugulini, tem poucas imagens porque o celular ficou sob um cobertor a maior parte do tempo.

Mas o áudio mostra o garoto gritando desesperadamente, soluçando e recebendo ameaças da madrasta. Nos diálogos, o casal também ofende Odilaine, provocando protestos de Bernardo - que é repreendido pelo pai, que não ergue a voz em nenhum momento. A gravação também mostra Graciele humilhando o garoto diversas vezes.