Banco do Sul é 'decisivo' para integração, diz Lula
Presidente afirma que banco trará 'independência' financeira para América do Sul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo, 9, em Buenos Aires, que a criação do Banco do Sul é "decisiva" para a integração da América do Sul e para a maior "independência" financeira da região. Lula discursou durante a cerimônia de criação do Banco do Sul, na Casa Rosada, sede da presidência da Argentina.
O presidente desembarcou em Buenos Aires neste domingo para participar da posse da presidente eleita da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner nesta segunda-feira, 10. Ela receberá a faixa presidencial do marido, o atual presidente Nestor Kirchner.
Em seu discurso Lula afirmou que o Banco do Sul servirá para financiar projetos na área de infra-estrutura, ciência e tecnologia, para reduzir a pobreza e as diferenças sociais e econômicas na região.
"Somente forte e unida a América do Sul poderá se desenvolver ainda mais. Acho que estamos todos de parabéns com a criação do Banco do Sul", disse.
Lula falou sobre a paternidade do banco, ao dizer que foram os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Argentina, Nestor Kirchner, e todos os presidentes presentes à cerimônia que tiveram a idéia da criação do banco numa reunião em janeiro de 2006.
O presidente alertou que o sucesso do banco dependerá da sua administração.
Para o presidente Lula, a relação entre o Brasil e a Argentina, atualmente, é a melhor possível, e a relação do país com a América do Sul está num de seus melhores momentos. "A nossa relação com a Venezuela é muito sólida, mas, hoje, mais favorável ao Brasil", disse Lula referindo-se à relação comercial entre os dois países.
Ao se referir a Hugo Chávez, Lula o chamou de "o rei do petróleo". Lula também se referiu ao líder boliviano Evo Morales. "Acho que Evo (Morales) é a coisa mais extraordinária para a América do Sul. Ninguém é mais a cara da Bolívia do que o Evo Morales", disse.
O presidente contou que o Brasil tem obras de hidrelétricas programadas com a Bolívia e a Argentina entre outras obras em parceria com países da região.
Lula se referiu ao três maiores países da região - Brasil, Argentina e Venezuela - dizendo que eles são "fundamentais" para que haja integração na prática. "Ou resolvemos este problema das desigualdades (entre os países da região) (...), ou a integração continuará como parte de nossos discursos eleitorais", afirmou.
Lula citou Paraguai, Uruguai, Equador e Bolívia, que também participam do Banco do Sul, como os países que precisam ser ajudados por Brasil, Argentina e Venezuela.
O presidente disse que, às vezes, a imprensa fala sobre disputas entre os países da região, mas que estas supostas disputas não existem, assim como, segundo ele, não existe um "líder" da América do Sul. "Perdi muito tempo em 2005 e 2006 com brigas internas (no Brasil). (...) Em política internacional não existe isto de líder", afirmou.
A cerimônia de lançamento do Banco do Sul contou com a presença dos presidentes Lula, Nestor Kirchner e Cristina Kirchner da Argentina, Hugo Chávez da Venezuela, Evo Morales da Bolívia, Rafael Correa do Equador, e Nicanor Duarte Frutos, do Paraguai. O presidente uruguaio Tabaré Vazquez assinará o documento do Banco do Sul nesta segunda-feira. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
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