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Barein interroga líder oposicionista depois de expulsar diplomata dos EUA

YARA BAYOUMY - REUTERS

09 Julho 2014 | 19h 31

O Barein interrogou seu principal líder oposicionista nesta quarta-feira depois de expulsar um diplomata de alto escalão dos Estados Unidos por se encontrar com ele, um tapa na cara de Washington digno de nota por partir de um aliado que sedia a frota da Marinha dos EUA no Oriente Médio.

O secretário de Estado assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho dos EUA, Tom Malinowski, deixou o Barein no final da terça-feira, informou a embaixada norte-americana, depois que o Ministério das Relações Exteriores do país ordenou que ele partisse por ter “intervindo flagrantemente” na política externa do Barein ao “realizar encontros com um certo indivíduo”.

No final desta quarta-feira, o grupo de oposição Al-Wefaq declarou que seu líder, Sheikh Ali Salman, foi convocado para se encontrar com o promotor público na quinta-feira.

Em Washington, o Departamento de Estado afirmou que os EUA fizeram uma queixa formal para a embaixada do Barein por conta do imbróglio. A porta-voz do departamento, Jen Psaki, disse à imprensa que seu país ainda está avaliando sua reação às ações do Barein, sem oferecer maiores detalhes.

A desavença expõe quão sensível é a relação de Washington com um de seus principais parceiros regionais. O Barein sedia o quartel-general da Quinta Frota dos EUA, responsável por todo o poderio naval norte-americano na região, mas se expasperou com as críticas dos EUA ao seu histórico nos direitos humanos desde que reprimiu um levante popular em 2011.

Psaki reiterou que os Estados Unidos acreditam que as ações do Barein “foram inadequadas e infringem as normas e convenções diplomáticas internacionais”, mas acrescentou que “nós também temos uma relação importante com o governo do Barein".

O reinado da ilha do Golfo Pérsico está nas mãos de uma família real muçulmana sunita, mas a maioria da população é xiita, cujos líderes políticos vêm exigindo reformas democráticas.