Bigodes voltam a ser moda pelas ruas de São Paulo

Tendência surgiu em Nova York, chegou a Londres e também se firmou entre jovens paulistanos

Pedro Venceslau, de O Estado de S. Paulo,

13 Janeiro 2009 | 09h03

Quem frequenta as baladas descoladas de São Paulo percebeu. Depois da onda da cara limpa, símbolo dos yuppies dos anos 1990, e da barba cuidadosamente malfeita, à la George Michael, chegou a vez dos bigodes dominarem a cena noturna. A moda começou nos clubes de Nova York, chegou a Londres e desembarcou em São Paulo com força no ano passado. Recentemente, um artigo do New York Times usou os bigodes de Brad Pitt e Jason Giambi, popular jogador dos Yankees, como símbolos da nova tendência.   Arredondados, retos, avantajados ou ralos, os bigodes deixaram de ser vistos como estilo de pai ou avô, ou mania dos saudosos de Burt Reynolds e da turma do Village People. Os neobigodudos são modernos. "O bigode está na moda entre as pessoas muito jovens, entre 18 e 25 anos. São pessoas ligadas a costumes e modismos de décadas passadas. Isso tem a ver com um movimento de voltarmos ao que somos, sem cara de bebê ou peito depilado. Eu prefiro o bigode mais cheio, acho mais bonito, mas sempre raspo na medida do lábio", conta o estilista Alexandre Herchcovitch, adepto assíduo do "bigodismo".   "Bigode é algo tradicional e antigo. De tão careta, virou moderno", diz o jornalista André Fisher, diretor do MixBrasil. Depois de um ano usando bigodes, ele decidiu raspá-los na semana passada, justamente por achar que o visual está se banalizando. "O bigode se disseminou entre os jovens. Ele empresta um ar meio anos 70 e deixa o homem muito masculino", afirma o estilista Dudu Bertolini.   Quem está pensando em aderir ao look tem de estar preparado. Para cultivar o bigode não basta aparar os pelos. O estilista David Pollak, dono de um bigode em forma de guidão de motocicleta invertido, usa um verdadeiro aparato para cuidar das madeixas labiais. "O bigode dá um ar retrô, clássico e chique, mas mantê-lo dá trabalho. Tenho escovas com cerda de pelo de javali, pentes de osso e chifre e tesoura especial para não deixar o fio espetado."   Uma preocupação constante dos bigodudos é com a higiene. Manter o pelo limpo exige cuidados, como tomar suco de laranja e leite com canudo. "Eu não fumo, mas o cigarro pode amarelar o bigode, além de deixar cheiro, mas existem alguns creminhos que tiram o odor. É importante lavar com xampu todo dia", explica Pollak.   Moda à parte, bigode não é consenso. O cabeleireiro Marco Antonio Di Biagi diz que, além de cafona, envelhece. "Barba do dia seguinte e cavanhaque são legais, mas aqui no Brasil as pessoas têm um ranço com bigode. O bigode ficou estereotipado como coisa de novela de época. Fica parecendo garçom de churrascaria. No meu salão você não vê gente de bigode."

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