Bom para Aventureiros

Saquê também tem aromas e gostos, mas a ênfase está na textura, elegância e pureza

Luiz Horta,

04 Novembro 2010 | 09h54

Passando pela rua, a fachada da Sakaya é mais pressentida do que vista. Há só uma placa discreta. Mas dentro da loja, dedicada à descoberta e investigação dos bons saquês, um aroma atraente emana das prateleiras. Os proprietários Rick Smith e sua mulher, Hiroko Furukawa, sabiam bem pouco de saquê, mesmo que ele tenha sido editor-assistente da Food&Wine por nove anos. Acreditava que a bebida era, em geral, rústica e servida quente para amaciar sua mediocridade. Isto até acontecer o momento que ele chama de "nossa!": um jantar no Jewel Bako, restaurante do East Village em que experimentou a beleza do bom saquê em seu lugar devido.

Na loja há perto de 150 garrafas, vindas de todos os cantos do Japão, uma seleção impressionante. Quando tem oportunidade, Smith explica que o saquê de qualidade nada mais é que a mistura de arroz especial, água, leveduras e koji - arroz branco cozido no vapor e inoculado com um tipo particular de fungo que quebra os amidos complexos dos grãos, tornando-os açúcares que poderão ser fermentados mais facilmente pelos levedos.

Para os amantes do vinho, o mundo dos saquês é, de início, desconcertante. Todo o tempo despendido aprendendo nuances nos vinhos, uvas, vinhedos, terminologia e técnicas, defronte de um universo estranho, com linguagem, alfabeto e prazeres sem sentido para os não-iniciados.

Os prazeres do saquê são completamente diferentes daqueles do vinho. Quando bebemos vinhos, procuramos uma série de aromas e sabores, principalmente frutados, uma unidade numa complexidade que enche a boca. Saquê também tem diversos aromas e gostos, mas a ênfase está na textura, elegância e pureza. A alegria dos saquês está menos na análise de sabores e mais nas variadas sensações táteis que proporcionam quando bebidos.

Mas do mesmo modo que o conhecimento dos vinhos nos impele a descrever cheiros e gostos nos saquês, saborear os sutis prazeres na textura da bebida intensificam e aumentam o prazer de degustar vinhos.

O saquê vai, naturalmente, muito bem com a comida japonesa. Mas tem alcance bem maior. Os mais encorpados acompanham bem porco, frango e massas, os mais delicados com pratos leves de frutos do mar. Apreciei muito o encontro do Amanoto Tokubetsu Junmai e do Denemon Junmai Ginjo com barriga de porco e polenta frita. Não me surpreendi, tudo vale na experimentação.

 

 

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