Bons tintos da Merlot

É marcante o progresso dos tintos feitos com a Merlot no Chile. Parece evidente que eles ganharam muito depois que suas uvas foram "oficialmente" separadas das Carmenères. A degustação de Merlots básicos, nada caros, abaixo da faixa dos R$ 50, agradou tanto que decidi dividir em duas colunas, uma com os produtos até R$ 35, que surpreenderam, e comentamos hoje, e outra com os mais caros, acima desse patamar. Normalmente, vinhos redondos, gostosos, fáceis e prontos para beber. Merlot, Carmenère, Cabernet Sauvignon e outras uvas européias foram levadas para o Chile em meados do século 19. Os grande senhores de minas e de terras provavelmente ficaram seduzidos pela idéia de fazer ótimos vinhos Bordeaux no Chile e importaram as uvas. Isso aconteceu antes da praga da filoxera quase arrasar os vinhedos europeus, que se salvaram enxertando suas uvas nobres em raízes de plantas mais comuns, não viníferas, mas resistentes a esse pulgão. Protegido por barreiras naturais (Andes, no leste, Pacífico, no oeste, deserto no norte e geleiras no sul) o Chile não conhece a praga, e as raízes de suas videiras são originais. Aliás, os produtores chilenos não deixam passar uma única oportunidade para destacar esse fato. Merlot e Carmenère são de Bordeaux e vieram misturadas para o Chile. Em Bordeaux, a Carmenère era relativamente importante, mas praticamente desapareceu, pois não se deu bem com o processo de enxertia. No Chile, ela ficou desconhecida, misturada com a Merlot, até ser identificada em meados da década de 1990. Antes disso, Merlot e Carmenère se atrapalhavam. Eram plantadas juntas, mas a Merlot amadurece antes. Assim, nas colheitas dos vinhos "Merlot" vinham muitos cachos ainda meio verdes da Carmènere, que davam um gosto vegetal não muito agradável. Separadas, vivem muito melhor. Correção Na coluna anterior, sobre os vinhos feitos com a Syrah, saíram errados os dados técnicos do Santa Helena Selección del Directorio 2005, que custa R$ 56,90 na Interfood, televendas 6602-7255. Saul.galvão@grupoestado.com.br

Saul Galvão, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2008 | 00h34

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