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Brasil cria comissão para monitorar crise nuclear do Japão

17 de março de 2011 | 18h 16
REUTERS

O governo brasileiro criou uma comissão para monitorar a extensão do vazamento nuclear na usina japonesa afetada pelo recente terremoto seguido de tsunami, afirmou na quinta-feira o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Ele disse que o monitoramento está sendo feito por técnicos da Comissão Nacional e Energia Nuclear (CNEM) e pesquisadores. Na sexta-feira passada, o tremor de magnitude 9,0 e um tsunami devastaram o Japão, matando milhares de pessoas, arruinando a infraestutura e ameaçando a usina nuclear de Fukushima Daiichi.

As informações técnicas disponibilizadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e pela Agência Nuclear do Japão estão sendo "sistematizadas" e colocadas em um portal na Internet à disposição do público.

"A comissão está verificando todas as medidas que estão sendo tomadas na evolução da crise para que a gente saiba quais protocolos teremos que modificar para as nossas usinas nucleares", disse Mercadante a jornalistas, lembrando que a energia nuclear tem peso pequeno na matriz energética do país.

"Mesmo assim tomaremos todas as medidas para assegurar o mais elevado padrão de segurança para o uso no Brasil", acrescentou.

Para o ministro, a crise nuclear no Japão será um paradigma mundial e vai suscitar novos protocolos de segurança, meio ambiente, alerta e mobilização da população, que serão adotados pelo país assim que estabelecidos.

O Brasil tem duas usinas nucleares operando, Angra 1 e 2 (RJ), e a unidade de Angra 3 já está em construção. O governo federal tem planos de construir nos próximos anos até 8 unidades nucleares no país.

Mercadante lamentou que a tragédia tenha ocorrido no momento em que a fonte nuclear vinha se consolidando no mundo, visto que é uma fonte menos poluente e que emite menos gases que contribuem para a formação do efeito estufa.

"A discussão internacional tem que ser feita com rigor. É um paradigma, pois é uma fonte que emite menos, mas tem um risco que é drástico", afirmou o ministro.

"O Brasil vai discutir e acompanhar os protocolos internacionais para aplicar aqui."

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)


Tópicos: GERAL, NUCLEAR, MERCADANTE*