Brasil defende renúncia do presidente da Síria, dizem fontes
O governo brasileiro defende a renúncia do presidente da Síria, Bashar al-Assad, nos moldes da resolução do Conselho de Segurança da ONU vetada por China e Rússia no fim de semana, fontes do Itamaraty afirmaram à Reuters nesta segunda-feira.
Segundo as fontes, o Brasil se reuniu com Índia e África do Sul antes da votação da resolução para coordenar uma posição conjunta dentro do Ibas (fórum que reúne as três nações), que se opunha à decisão de veto de Rússia e China, que junto a esses três países formam os Brics.
O Brasil não teve direito a voto porque não tem neste momento um assento no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, ao contrário de Índia e África do Sul. A resolução vetada manifestava apoio a um plano de paz da Liga Árabe e pedia a renúncia de Assad.
Nesta segunda-feira, o chanceler Antonio Patriota pediu "esforços mediadores e diplomáticos com maior urgência" em relação à Síria, durante entrevista conjunta com a alta representante para Relações Exteriores e Política de Segurança da União Europeia, Catherine Ashton, que visita o Brasil.
A pressão para a saída do presidente sírio aumentou com o fechamento da embaixada dos Estados Unidos em Damasco nesta segunda-feira. Há 10 meses, a Síria é palco de violentos confrontos entre forças de segurança e manifestantes pró-democracia.
"A não adoção desta resolução não significa que a violência deva aumentar nem que os esforços diplomáticos devam diminuir...A última coisa que queremos ver é uma guerra civil", afirmou Patriota.
O ministro disseque a situação dos brasileiros na Síria está sendo "acompanhada de perto" pelo Itamaraty e estimou em três mil o número de pessoas na Síria com dupla cidadania brasileira e síria.
IRÃ
A questão nuclear iraniana também foi discutida na reunião com a alta representante europeia, tema sobre o qual Patriota confirmou que há "diferenças" entre as posições da União Europeia e do Brasil.
Potências ocidentais suspeitam que o Irã busca armas nucleares, mas Teerã alega que o seu programa é para fins energéticos pacíficos.
A tensão do Irã com o Ocidente aumentou neste mês por causa da decisão dos Estados Unidos e da União Europeia de endurecer suas sanções contra Teerã, na expectativa de pressionar o governo local a fornecer mais informações sobre o seu programa nuclear.
"Ela (Catherine Ashton) sabe que existe uma diferença de enfoque entre o que nós preconizamos e atitudes da União Europeia. Em particular, o Brasil é contrário às sanções unilaterais", afirmou Patriota.
"O Brasil considera essencial que a questão iraniana seja abordada pela via do diálogo e da diplomacia. A última coisa que o Oriente Médio latu sensu precisa é de uma nova guerra ou intervenção militar", disse.
Brasil e Turquia mediaram um acordo com o Irã em 2010, quando o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, aceitou enviar parte de seu urânio ao exterior em troca de combustível nuclear.
Contudo, as grandes potências permaneceram céticas e semanas após o anúncio festivo dos três países, o Conselho de Segurança da ONU aplicou uma nova rodada de sanções à República Islâmica.
Nesta segunda-feira, Catherine defendeu sanções como forma de pressionar o Irã a voltar a negociar o seu programa nuclear. "O propósito das sanções é persuadir o Irã a voltar às negociações", afirmou a alta representante europeia.
(Reportagem de Ana Flor)
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