Ir para o conteúdo
ir para o conteúdo
 • 
Você está em Notícias >
Início do conteúdo

Brasil pode se tornar doador internacional de medula óssea

País está próximo de fechar um acordo com os EUA para integrar banco internacional de doadores

12 de março de 2008 | 18h 08
Wladimir D'Andrade, de O Estado de S. Pauli

O Brasil está próximo de fechar um acordo com os Estados Unidos para passar a integrar o banco internacional de doadores de medula óssea. Nesta semana, quatro pesquisadores do Programa Nacional de Doação de Medula americano (MNDP) vieram ao Rio de Janeiro para visitar o sistema de doadores do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e na quinta-feira, 13, poderá ser anunciada alguma posição em relação ao acordo.

 

O País já tem acesso aos cadastros de outros países. A parceria possibilitará que pacientes norte-americanos tenham mais chance de encontrar um doador compatível, já que o banco de dados dos EUA crescerá em cerca de 620 mil potenciais doadores, os brasileiros.

 

Segundo o Inca, órgão que gerencia o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), quando um paciente brasileiro não encontra doador ao cruzar seus dados com o perfil genético dos doadores cadastrados no País, ele pode buscar doadores em uma lista formada pelos bancos estrangeiros.

 

O banco americano é o maior do mundo, com cerca de 6 milhões de cadastros, interligados a pelo menos mais 3 milhões de outros países, os chamados doadores cooperativos. O acordo permitirá o inverso. O Brasil vai se tornar um doador cooperativo no cadastro dos EUA, ao qual outros países têm acesso.

 

De acordo com o Inca, com os doadores brasileiros, os americanos - principalmente os de origem latina - terão mais chances de encontrar um doador de medula óssea.

 

Incentivo

 

O Redome cadastra por mês entre 15 mil e 20 mil pessoas como potenciais doadores de medula óssea. A situação, entretanto, não foi sempre assim.

 

O sistema foi criado em 1993 e passou a ser gerenciado pelo Inca em 1998. Até o final de 2004, quando começou a campanha para incentivar a doação, havia apenas 80 mil registros, de acordo com o órgão. Desde então, o total de cadastros do Redome aumentou e hoje é de 628.981. A meta do Ministério da Saúde é de 1 milhão de doadores até 2011.

 

O total de transplantes também aumentou. Conforme os dados do Inca, em 2004 foram realizados 67 transplantes não-aparentados - os que utilizam doadores voluntários e não familiares dos pacientes. Em 2007, foram 135 transplantes.

 

Para se registrar no banco de dados a pessoa deve procurar o hemocentro de sua cidade, onde terá uma amostra de 10 milímetros de sangue recolhida.

 

O sangue então é submetido a um teste de histocompatibilidade (HLA), que identifica um conjunto de genes localizados no cromossomo 6. Esses genes devem ser compatíveis com o do doente para que o transplante seja feito. Para o cadastro no hemocentro é necessário apresentar um documento de identidade. Todo o processo para o doador é grátis.



Tópicos: Medula, Doador, Brasil