Brasil pode se tornar doador internacional de medula óssea
País está próximo de fechar um acordo com os EUA para integrar banco internacional de doadores
O Brasil está próximo de fechar um acordo com os Estados Unidos para passar a integrar o banco internacional de doadores de medula óssea. Nesta semana, quatro pesquisadores do Programa Nacional de Doação de Medula americano (MNDP) vieram ao Rio de Janeiro para visitar o sistema de doadores do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e na quinta-feira, 13, poderá ser anunciada alguma posição em relação ao acordo.
O País já tem acesso aos cadastros de outros países. A parceria possibilitará que pacientes norte-americanos tenham mais chance de encontrar um doador compatível, já que o banco de dados dos EUA crescerá em cerca de 620 mil potenciais doadores, os brasileiros.
Segundo o Inca, órgão que gerencia o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), quando um paciente brasileiro não encontra doador ao cruzar seus dados com o perfil genético dos doadores cadastrados no País, ele pode buscar doadores em uma lista formada pelos bancos estrangeiros.
O banco americano é o maior do mundo, com cerca de 6 milhões de cadastros, interligados a pelo menos mais 3 milhões de outros países, os chamados doadores cooperativos. O acordo permitirá o inverso. O Brasil vai se tornar um doador cooperativo no cadastro dos EUA, ao qual outros países têm acesso.
De acordo com o Inca, com os doadores brasileiros, os americanos - principalmente os de origem latina - terão mais chances de encontrar um doador de medula óssea.
Incentivo
O Redome cadastra por mês entre 15 mil e 20 mil pessoas como potenciais doadores de medula óssea. A situação, entretanto, não foi sempre assim.
O sistema foi criado em 1993 e passou a ser gerenciado pelo Inca em 1998. Até o final de 2004, quando começou a campanha para incentivar a doação, havia apenas 80 mil registros, de acordo com o órgão. Desde então, o total de cadastros do Redome aumentou e hoje é de 628.981. A meta do Ministério da Saúde é de 1 milhão de doadores até 2011.
O total de transplantes também aumentou. Conforme os dados do Inca, em 2004 foram realizados 67 transplantes não-aparentados - os que utilizam doadores voluntários e não familiares dos pacientes. Em 2007, foram 135 transplantes.
Para se registrar no banco de dados a pessoa deve procurar o hemocentro de sua cidade, onde terá uma amostra de 10 milímetros de sangue recolhida.
O sangue então é submetido a um teste de histocompatibilidade (HLA), que identifica um conjunto de genes localizados no cromossomo 6. Esses genes devem ser compatíveis com o do doente para que o transplante seja feito. Para o cadastro no hemocentro é necessário apresentar um documento de identidade. Todo o processo para o doador é grátis.
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