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Brasil Telecom compra o iG por US$ 100,7 milhões

Agencia Estado

19 Maio 2004 | 08h 46

A Brasil Telecom anunciou ontem, durante a entrega do Prêmio Ibest, a compra de 63% do provedor gratuito de internet iG por US$ 100,752 milhões. A operadora, que já tinha 9,45% do iG, passa a deter 72,45%. O restante pertence ao Opportunity, que está no controle da Brasil Telecom. Quando a operadora revelou seu interesse de controlar o iG, concorrentes haviam criticado a possibilidade de ela comprar a participação do Opportunity. ?A compra sinaliza o valor da internet para as operadoras de telecomunicações?, afirmou o diretor de Serviços de Análise do Ibope eRatings, Marcelo Coutinho. De acordo com o próprio iG, o provedor tem 7,3 milhões de usuários ativos e mais de 18 milhões de contas de correio eletrônico cadastradas. Segundo a empresa de pesquisa Pyramid Research, o iG é o maior provedor da América Latina. Entre as empresas que venderam sua participação no iG estão a Telemar e a GP Holdings e a Andrade Gutierrez (acionistas da Telemar). A participação da Telemar no iG era de 17,6% e foi vendida por US$ 17,487 milhões. A empresa divulgou comunicado dizendo que terá lucro contábil de R$ 6 milhões com a operação. A Brasil Telecom informou que o iG foi avaliado em US$ 137,7 milhões e tem US$ 16 milhões em caixa. A operadora já controla o provedor gratuito iBest. A finalização da compra ainda depende de um processo de verificação dos números do iG e da aprovação das autoridades regulatórias. Ações sobem na Bovespa O mercado digere hoje a aquisição. As ações da Brasil Telecom abriram em alta hoje na Bolsa. As preferenciais da BrT Participações subem 4,21% e as ordinárias disparavam 4,98%. Já as preferenciais da operadora tinham alta de 4,51%. O mercado aguardava há tempo o anúncio. O negócio deve gerar polêmica. Existem dois principais questionamentos dos investidores. O primeiro diz respeito a questões societárias, uma vez que o Opportunity, controlador da BrT, é também um dos principais sócios do iG. Portanto, o negócio é visto como uma saída de caixa da Brasil Telecom para o seu controlador. Outra dúvida está relacionada às sinergias potenciais do negócio frente ao valor da transação. A BrT já possui um portal de internet, o iBest. Além disso, os analistas apontam que não há como saber, por enquanto, qual será o tráfego que o iG poderá gerar à BrT, uma vez que a maioria dos assinantes do portal está nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e, portanto, fora da área de atuação da empresa. A companhia enviou ontem à noite convite aos analistas de mercado e gestores de recursos para um encontro hoje, a partir das 9 horas, para falar sobre a estratégia de internet e banda larga. Além das dúvidas dos analistas, já existe uma queixa contra o negócio na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), enviada há mais de uma semana pela Telecom Itália. A empresa italiana é sócia minoritária da BrT por ter sido impedida de retornar ao bloco de controle da operadora brasileira no ano passado.

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