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Brasileiros estão atentos mas não imunes ao doping, diz D Rose

29 de julho de 2008 | 15h 20
ALBERTO ALERIGI JR. - REUTERS

Os 277 atletas brasileiros que

disputarão os Jogos Olímpicos de Pequim estão conscientes de

todos os riscos sobre doping na Olimpíada, e a maior parte foi

testada preventivamente, mas é impossível garantir de antemão

que não haverá nenhum caso envolvendo competidores do país, de

acordo com a maior autoridade antidoping do Brasil.

O coordenador da área antidoping do Comitê Olímpico

Brasileiro (COB), Eduardo De Rose, afirmou que não houve nenhum

resultado positivo nos exames preventivos, mas "quando o atleta

quer se dopar, ele se dopa".

"Se atleta brasileiro vai ser positivo (em exames

antidoping) é adivinhação. Eu espero que não, mas não posso

garantir que não", afirmou De Rose em entrevista à Reuters.

Para o médico, que é responsável por essa área no COB desde

1976, nem sempre os esforços de controle e educação dos atletas

sobre os perigos das substâncias ilegais evita problemas. No

Pan-Americano de 2007, a nadadora Rebeca Gusmão e o levantador

de peso Fabrício Mafra tiveram suas medalhas retiradas em

escândalos de doping.

"Infelizmente, para nós, foi o primeiro Pan-Americano que

tivemos atleta brasileiro positivo. É claro que a gente sente

muito, mas o que a gente pode dizer é que ambos os atletas

foram testados antes da competição e não havia problemas

aparentes", disse.

Segundo De Rose, que também é membro do comitê antidoping

do Comitê Olímpico Internacional (COI), em todas as Olimpíadas

o COB tem feito um trabalho de prevenção, que além dos testes

envolve palestras, cursos e publicação de cartilha com

medicamentos que podem causar doping.

Para tentar evitar os perigos da automedicação por parte

dos atletas, o COB, além de clínica com cerca de 40 médicos

montada na Vila Olímpica de Pequim, fez este ano uma parceria

mais próxima com o Laboratório de Controle de Dopagem da

Universidade Federal do Rio de Janeiro para verificar

medicamentos que constam da lista de permitidos da cartilha,

para evitar eventuais erros.

"Foi feito um estudo mais sério, mais cientifico para se

evitar erro nesta parte. Não que antes a gente não fizesse

esses estudos, mas não havia essa estrutura de preparação dos

produtos permitidos de agora", disse De Rose.

DE OLHO NOS ANABOLIZANTES

Apesar das suspeitas sobre novos métodos de melhora

artificial de performance, que incluem uso de medicamentos

permitidos como o Viagra, De Rose afirma que as substâncias que

continuarão na mira das autoridades do COI em Pequim serão os

esteróides anabolizantes, que proporcionam aumento da massa

muscular e melhoram a resistência.

A operação antidoping na China prevê cerca de 4,5 mil

exames a serem realizados durante a competição, volume 25 por

cento maior que o feito há quatro anos, em Atenas.

"A estatística da (Agência Mundial Antidoping) Wada mostra que

a substância da moda continua sendo o anabólico esteróide, mas

desta vez o COI buscará detectar melhor o hormônio de

crescimento, que se vê apenas via exames de sangue."

Em Pequim, De Rose fará parte de uma comissão de "controle

de qualidade" da equipe chinesa que fará os exames, que ainda

serão mais aprimorados do que os realizados nos Jogos de

Atenas.

"Vamos assegurar que eles tenham qualidade internacional.

Em princípio os chineses estão bem orientados, mas a gente

acompanha como parte de uma auditoria interna do comitê

olímpico", afirmou o médico especializado em medicina do

esporte.

(Edição de Tatiana Ramil e Pedro Fonseca)



Tópicos: DOPING, DEROSE, ENTREVISTA