Brasileiros estão atentos mas não imunes ao doping, diz D Rose
Os 277 atletas brasileiros que
disputarão os Jogos Olímpicos de Pequim estão conscientes de
todos os riscos sobre doping na Olimpíada, e a maior parte foi
testada preventivamente, mas é impossível garantir de antemão
que não haverá nenhum caso envolvendo competidores do país, de
acordo com a maior autoridade antidoping do Brasil.
O coordenador da área antidoping do Comitê Olímpico
Brasileiro (COB), Eduardo De Rose, afirmou que não houve nenhum
resultado positivo nos exames preventivos, mas "quando o atleta
quer se dopar, ele se dopa".
"Se atleta brasileiro vai ser positivo (em exames
antidoping) é adivinhação. Eu espero que não, mas não posso
garantir que não", afirmou De Rose em entrevista à Reuters.
Para o médico, que é responsável por essa área no COB desde
1976, nem sempre os esforços de controle e educação dos atletas
sobre os perigos das substâncias ilegais evita problemas. No
Pan-Americano de 2007, a nadadora Rebeca Gusmão e o levantador
de peso Fabrício Mafra tiveram suas medalhas retiradas em
escândalos de doping.
"Infelizmente, para nós, foi o primeiro Pan-Americano que
tivemos atleta brasileiro positivo. É claro que a gente sente
muito, mas o que a gente pode dizer é que ambos os atletas
foram testados antes da competição e não havia problemas
aparentes", disse.
Segundo De Rose, que também é membro do comitê antidoping
do Comitê Olímpico Internacional (COI), em todas as Olimpíadas
o COB tem feito um trabalho de prevenção, que além dos testes
envolve palestras, cursos e publicação de cartilha com
medicamentos que podem causar doping.
Para tentar evitar os perigos da automedicação por parte
dos atletas, o COB, além de clínica com cerca de 40 médicos
montada na Vila Olímpica de Pequim, fez este ano uma parceria
mais próxima com o Laboratório de Controle de Dopagem da
Universidade Federal do Rio de Janeiro para verificar
medicamentos que constam da lista de permitidos da cartilha,
para evitar eventuais erros.
"Foi feito um estudo mais sério, mais cientifico para se
evitar erro nesta parte. Não que antes a gente não fizesse
esses estudos, mas não havia essa estrutura de preparação dos
produtos permitidos de agora", disse De Rose.
DE OLHO NOS ANABOLIZANTES
Apesar das suspeitas sobre novos métodos de melhora
artificial de performance, que incluem uso de medicamentos
permitidos como o Viagra, De Rose afirma que as substâncias que
continuarão na mira das autoridades do COI em Pequim serão os
esteróides anabolizantes, que proporcionam aumento da massa
muscular e melhoram a resistência.
A operação antidoping na China prevê cerca de 4,5 mil
exames a serem realizados durante a competição, volume 25 por
cento maior que o feito há quatro anos, em Atenas.
"A estatística da (Agência Mundial Antidoping) Wada mostra que
a substância da moda continua sendo o anabólico esteróide, mas
desta vez o COI buscará detectar melhor o hormônio de
crescimento, que se vê apenas via exames de sangue."
Em Pequim, De Rose fará parte de uma comissão de "controle
de qualidade" da equipe chinesa que fará os exames, que ainda
serão mais aprimorados do que os realizados nos Jogos de
Atenas.
"Vamos assegurar que eles tenham qualidade internacional.
Em princípio os chineses estão bem orientados, mas a gente
acompanha como parte de uma auditoria interna do comitê
olímpico", afirmou o médico especializado em medicina do
esporte.
(Edição de Tatiana Ramil e Pedro Fonseca)
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