Briga entre ricos e pobres trava acordo em conferência do clima

Impasse em torno de três objetivos, entre eles a extensão do Protocolo de Kyoto, adia definição de documento final

GIOVANA GIRARDI, ENVIADA ESPECIAL / DOHA, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2012 | 02h06

Sem quase nada acordado, a Conferência do Clima da ONU, que ocorre em Doha (Catar), não pôde ser finalizada até a noite de ontem e se estendia pela madrugada deste sábado.

Os três principais objetivos - extensão do Protocolo de Kyoto para um segundo período de compromisso, conclusão do LCA (grupo de trabalho sobre cooperação de longo prazo) e definição de um guia sobre o que deve ser o novo tratado climático, a ser fechado em 2015 - tinham opções em aberto para a decisão ministerial.

Como definiu um membro da delegação brasileira, pela primeira vez na história das COPs, toda a pressão da decisão estava sobre os países desenvolvidos, que punham entraves para colocar dinheiro na mesa, para trazer metas mais ambiciosas de redução das emissões e até sobre os princípios básicos que devem nortear o novo regime climático.

As finanças permanecem como grande problema. Países em desenvolvimento pedem um compromisso de doação de US$ 60 bilhões até 2015, mas desenvolvidos dizem que não podem oferecer nada neste momento.

Na plenária da chamada Plataforma de Durban, que trata do novo regime, a controvérsia estava em torno da menção ou não ao documento proveniente da Rio+20, que fala sobre equidade e traz o princípio da Responsabilidade Comum, Porém Diferenciada (CBDR, na sigla em inglês).

Delegados dos EUA, Noruega e México, que pediram sua exclusão, justificaram que o documento é muito amplo e poderia gerar confusão de interpretação. Em Kyoto permanecia a dificuldade sobre o que fazer com o chamado hot air, uma espécie de poupança de emissões reduzidas que países como Rússia e Polônia têm porque diminuíram mais do que precisavam e querem agora carregá-la para as novas metas.

A proposta que foi colocada é de um limite de 2,5% para o uso disso para desconto das metas desses países no segundo período de Kyoto. Havia também uma expectativa de que alguns países fariam anúncios durante a plenária final de que não vão aceitar comprar esse tipo de "crédito", visto que ele não representa uma real redução de emissões.

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