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Cabral quer Forças Armadas no Rio até o fim do ano

TÂNIA MONTEIRO - Agência Estado

23 Março 2014 | 23h 05

O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), chegou à reunião com a presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira, 21, no Palácio do Planalto, com um pedido, no mínimo, inusitado, que deixou as Forças Armadas numa verdadeira "saia-justa": que as tropas federais entrem, imediatamente, no patrulhamento das áreas mais sensíveis da capital fluminense e só saiam de lá apenas no fim de 2014, depois não só da realização da Copa do Mundo, como também do primeiro e segundo turno das eleições.

A proposta surpreendeu e desagradou a autoridades das Forças Armadas pelo extenso e "indevido" período. Estas e outras propostas serão negociadas nesta segunda-feira, 24, em reunião entre os governos federal e do Estado, no Rio. Dilma, de acordo com informações obtidas pela reportagem, foi cautelosa e prometeu que tudo ia ser estudado, para ver o que será possível atender.

Cabral quer as Forças Armadas assumam o Complexo de Favelas da Maré, localizada na zona norte da capital fluminense, onde a população passa dos 140 mil habitantes e onde o Batalhão de Operações Especiais (Bope) já está presente, desde a semana passada, quando houve ataques de bandidos às Unidades de Polícia Pacificadoras (UPP). O Exército, principalmente, substituiria os homens do Bope. A região foi escolhida pela posição estratégica, uma vez que a favela fica na área das vias de entrada e saída da capital, cortando, a Avenida Brasil, além das Linhas Amarela e Vermelha, pontos cruciais de escoamento durante a Copa do Mundo.

Planejamento

A entrada das Forças Armadas não deverá ser tão imediatamente como deseja o governo ou até a população, que esperava que isso já fosse ocorrer nesta segunda-feira. Ela terá de ser precedida de um planejamento e um trabalho de inteligência e logística. Embora as Forças Armadas já estejam preparadas e trabalhando para entrar no Rio em maio, permanecendo nas ruas até o fim de julho, compreendendo o período pré e um pós Copa, a antecipação do desembarque das tropas em mais de um mês é uma dificuldade. Os militares reconhecem que a estratégia política usada por Cabral e a forma como o apelo foi feito será impossível não atender, até porque se criou uma enorme expectativa e este é um desejo no governo federal, da população local e até de Dilma.

O fator facilitador é que, como o comando integrado de controle e apoio para a Copa já está em funcionamento no Rio, com generais participando diretamente de tudo, isto facilitará a entrada em operação dos militares. A operação dependerá ainda de um pedido do governo do Estado a Dilma para que ela assine um decreto autorizando a entrada das tropas, por tanto tempo, em tal lugar, com tal objetivo. Tudo ainda é negociado.

Todo o trabalho das Forças Armadas será feito com base na legislação para Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que prevê regras de engajamento específicas. Essa operação será semelhante à ocorrida em anos anteriores, nos morros do Alemão e da Penha. Embora não tenha havido definição ainda de número de militares a serem empregados neste tipo de operação, a expectativa é de que seja da ordem de 2400 homens.

Uma das queixas dos militares em missões como esta, quando uma operação das Forças Armadas acontece em conjunto com a Polícia Militar dos estados, é em relação à carga horária de trabalho. Nas PMs, em muitos casos, o regime de trabalho é de 24 horas de trabalho, por 36 ou até 48 horas de folga, dificultando a mobilização de pessoal, o que não acontece nas Forças Armadas.

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