Cancelamento de GP da F1 é golpe duro para o Bahrein
Corrida é parte da estratégia de reino árabe de abraçar modernidade preservando a tradição

LONDRES - O cancelamento do GP do Bahrein deste ano, determinado nesta quarta-feira, deve representar um duro e humilhante golpe para a pequena ilha árabe.
Protestos contra o governo já haviam forçado o cancelamento da corrida de Fórmula 1 em março. No entanto, após o fim do estado de emergência no emirado, decretado na semana passada, autoridades do esporte haviam dito que a corrida aconteceria em 30 de outubro.
Mas a falta de apoio das equipes deve inviabilizar a realização da prova, disse o principal dirigente da categoria, Bernie Ecclestone.
Não é surpresa o fato de a corrida ser divulgada na maioria dos cartazes nas ruas de Manama, a capital do Bahrein. Sediar um GP de F1 é parte da visão que o emirado adotou para si mesmo - a de um reino disposto a abraçar a modernidade ao mesmo tempo em que preserva sua herança cultural.
É difícil ignorar o orgulho que os nativos sentem ao falar de como seu país se tornou o primeiro do Oriente Médio a sediar uma corrida da categoria mais prestigiada do automobilismo.
Exposição. A corrida representa a satisfação de ter dado um passo na luta para colocar Bahrain no mapa. "Me fale de qualquer outra coisa que dê ao Bahrein exposição imediata para 200 ou 300 milhões de pessoas em todo o mundo", diz o chefe-executivo do circuito, Salman bin Isa Al Khalifa.
"Imagine que ele nos dá a oportunidade estar no mesmo círculo de elite que outros 20 países, entre eles potências como China, Inglaterra e Alemanha", completou.
A exposição mundial gerada pela F1 é o que mais importa para o reino de 717 km² e população de 800 mil pessoas, mas isso não significa que o evento não tenha críticos dentro do país.
O circuito foi construído em prazo recorde de 16 meses e foi criticado por causa do custo. Bahrein não é tão rico como outros vizinhos produtores de petróleo.
No entanto, mesmo os críticos reconhecem que os ganhos financeiros valem o investimento. Segundo Al Khalifa, o retorno direto da F1 varia de US$ 130 milhões a US$ 200 milhões (de R$ 205 milhões a R$ 316 milhões) anualmente, sem contar os benefícios indiretos para a economia.
Isso em tempos normais. Nesta época de crise, é difícil imaginar como o reino poderá retomar a realização da prova sem o apoio dos pilotos e das escuderias.
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