Caso Amarildo 'não é a marca das UPPs', diz Cabral

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, foram questionados neste domingo em entrevista sobre o temor de moradores do complexo de favelas do Lins, na zona norte do Rio, ocupado na madrugada para a instalação da 35.ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Estado, de que ocorra nas comunidades uma repetição do caso Amarildo.

(AE), Agência Estado

06 Outubro 2013 | 14h01

O pedreiro Amarildo de Souza, de 43 anos, está desaparecido desde 14 de julho, quando foi conduzido por policiais da UPP da Rocinha para "averiguação". Dez PMs, entre eles o comandante da UPP, foram denunciados pelo Ministério Público e tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça na sexta-feira sob acusação de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver.

Cabral afirmou que o caso Amarildo "não é a marca das UPPs". "Por um lado, lamentamos profundamente a conduta desses policiais, mas isso não representa a filosofia da UPP. UPP não é isso, pelo contrário. O método utilizado pelos policiais é uma coisa abominável, mas temos 8.600 PMs em UPPs e a esmagadora maioria é querida pela população", disse o governador.

"O caso Amarildo é um caso triste que demonstra que só pôde acontecer o que aconteceu, com investigação e punição, porque temos uma UPP na Rocinha. Quantos policiais, ao longo do histórico de confrontos e de entradas em comunidades, cometeram erros, violências, e a população não teve como se defender? Quantos marginais cometeram barbaridades nas comunidades até a chegada das UPPs?", disse o governador.

Na mesma entrevista, o secretário de Segurança também comentou o caso Amarildo e afirmou que "a polícia que às vezes comete erros é a mesma que pacifica". "Tivemos um problema triste e ruim na Rocinha", afirmou Beltrame. "O que aconteceu foi elucidado e os policiais estão à disposição da Justiça. A mesma polícia deu uma resposta aos moradores. Não compactuamos com esse tipo de ação. Quantos outros Amarildos tem o Rio e que as famílias não puderam nem reclamar?"

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