''Caso da mala'': presidente da PDVSA na Argentina pede demissão
Convite a empresário flagrado com mala de dólares teria partido de filho de dirigente.

O presidente da petroleira estatal venezuelana PDVSA na Argentina e vice-presidente geral da empresa, Diego Uzcategui Matheus, pediu demissão nesta quarta-feira, segundo a imprensa venezuelana. Ele deixa o cargo em meio ao escândalo da mala com dólares, que há mais de dez dias provoca polêmica na Argentina e na Venezuela.
O filho dele, Daniel Uzcategui Spetch, de 18 anos, é acusado de ter convidado o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson a embarcar no jatinho alugado pela estatal argentina Enarsa, na viagem realizada entre Venezuela e Argentina, dois dias antes da chegada do presidente venezuelano Hugo Chávez a Buenos Aires.
Wilson carregava a mala com quase US$ 800 mil, em dinheiro, quando foi flagrado pela alfândega, no aeroporto da capital argentina.
Nesta quarta-feira, antes da saída da autoridade da PDVSA, o chefe de gabinete da Casa Rosada, Alberto Fernández, insistiu que o governo venezuelano deveria investigar o caso e definir responsabilidades, já que o empresário tinha viajado de "carona" no jatinho alugado pela Enarsa.
Quando surgiu o escândalo, o presidente Chávez disse que era "caso de polícia" e destacou tratar-se de mais uma ação "conspirativa" do "império americano".
Com a demissão de Diego Uzcategui Matheus, afirmam analistas, o governo reconhece que a autoridade venezuelana pode ter cometido alguma irregularidade.
Segundo o jornal argentino Clarin, o filho do agora ex-presidente da PDVSA na Argentina realizou três viagens ao país acompanhado por Wilson.
O caso é investigado na Argentina e passou a ser analisado pelo Ministério Público da Venezuela.
Na Bolívia, autoridades do governo do presidente Evo Morales voltaram a negar que o avião com a mala tenha feito escala no aeroporto de Santa Cruz de la Sierra, como afirmaram autoridades venezuelanas.
Ao mesmo tempo, o escândalo também vem sendo acompanhado com atenção no Uruguai, para onde o empresário venezuelano viajou mais de uma vez, segundo a imprensa argentina, uruguaia e venezuelana, para realizar negócios.
De acordo com a rádio El Espectador, do Uruguai, a petroleira venezuelana pagou as hospedagens do empresário venezuelano todas as vezes em que ele viajou ao país, acompanhado por Uzcategui Spetch.
A oposição uruguaia - assim como a oposição argentina - pede que o caso seja investigado.
Até agora não se sabe qual o destino dos quase US$ 800 mil.
Opositores argentinos, como o senador Gerardo Morales, afirmam que o dinheiro faz parte de "lavagem de dinheiro".
Analistas, como o argentino Joaquín Morales Sola, especulam que o dinheiro seria usado na campanha eleitoral da presidenciável Cristina Fernández de Kirchner ou no apoio aos movimentos sociais, simpatizantes de Chávez.
O vice-presidente do parlamento venezuelano, Roberto Hernández, considerou "absurdas" as versões de que o dinheiro seria usado para ajudar a campanha de Cristina ou movimentos sociais. "Isso é uma loucura. E além disso, a candidata Cristina está à frente nas pesquisas de opinião e não precisaria disso".
"Não pode ser que seja tanta coincidência ou só conspiração o fato de terem encontrado dinheiro no banheiro (da ex-ministra da Economia, Felisa Miceli) e agora essa mala de dólares", disse a presidenciável da oposição argentina, Elisa Carrió. "Isso é corrupção."
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