Celular e PCs alavancam vendas da indústria eletroeletrônica

Faturamento da indústria nos seis primeiros meses cresce 11%, para quase R$ 50 bilhões

Reuters,

14 Agosto 2008 | 17h01

A chegada da terceira geração de celular e o aquecido mercado de microcomputadores garantiram o bom desempenho da indústria eletroeletrônica no primeiro semestre deste ano. Segundo dados apresentados nesta quinta-feira pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o faturamento da indústria nos seis primeiros meses cresceu 11% sobre igual período do ano passado, para perto de R$ 50 bilhões.   A área de telecomunicações foi a que registrou maior índice de crescimento no semestre, de 33 por cento, mas parte desse salto se deveu à fraca base de comparação, como explicou a Abinee, já que o primeiro semestre de 2007 foi muito desaquecido para esse setor.   Neste ano, entretanto, com a aceleração das redes de terceira geração da telefonia móvel, os negócios voltaram na área de infra-estrutura de redes, assim como nas vendas internas e externas de celulares.   Já a área de informática continua impulsionada pelos incentivos fiscais ao segmento de microcomputadores e à desvalorização do dólar. Dessa forma, as vendas de PCs continuam elevadas e a automação industrial também teve alta expressiva - 17%, a segunda maior do semestre, dentro dos setores englobados pela Abinee.   De todos os segmentos da indústria eletroeletrônica, os únicos que não apresentaram crescimento da receita no semestre foram os de utilidades domésticas e componentes, que sofrem a concorrência mais pesada dos importados, no caso deste último porque o Brasil praticamente não tem fabricantes locais.   Efeito perverso   Os mesmos setores que impulsionaram a alta de 11% na receita do setor no semestre estimularam, por conseqüência, maiores importações. Quanto mais a indústria de informática vende PCs, por exemplo, mais demanda chips e componentes eletrônicos, setores dos quais o Brasil depende de importações.   No caso dos celulares, o movimento é parecido e também estimulou a importação de chips e componentes. Essa indústria, entretanto, ainda teve um agravante: o consumo aquecido de modelos mais sofisticados, como os smartphones, que ainda não têm escala para a produção nacional, também fez com que, ao mesmo tempo em que os celulares são o item mais exportado por essa indústria, eles tenham gerado importações 148% maiores de modelos prontos.   O diretor de informática da Abinee, Hugo Valério, afirmou aos jornalistas nesta quinta-feira que "a indústria de chips e componentes foi se dizimando ao longo do tempo e a Abinee não vê medidas importantes para mudar esse cenário" por parte do governo.   Já o presidente da associação, Humberto Barbato, criticou a política cambial e se disse "preocupado" com o saldo negativo crescente da balança comercial do segmento.   O déficit entre importações e exportações do setor eletroeletrônico no semestre foi de 10,3 bilhões de dólares, uma alta de 61% sobre o déficit de igual período do ano passado. Diante da expectativa levantada junto aos empresários do setor, a Abinee projetou alta de 11% no faturamento anual dessa indústria, para 123,7 bilhões de reais.   O déficit comercial deve ficar elevado, em 23,42 bilhões de dólares, com alta de 59 por cento em relação a 2007, mas o número de empregados também tende a crescer, para 167 mil pessoas, com a geração de 11 mil postos de trabalho.

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