Chef nômade conseguiu fazer a comida viajar

James Lowe conseguiu algo raro: mostrar sua cozinha, usar produtos locais e acertar em tudo. Quase todas as visitas de chefs internacionais acabam por ser mero teaser do que fazem em casa. Poucos satisfazem ou saem satisfeitos. Ou trazem na mala o restaurante inteiro, e perdem a graça de inventar, ou quebram a cara espetacularmente quando percebem que o pato que aqui grasna não grasna como lá. Lowe veio no estilo mochileiro, visitou mercados, comeu onde pôde e produziu um menu britânico (miúdos, carnes menos nobres e porco) com uma sutil intervenção brasileira. Não sei como o chef Landgraf arranjou corações de pato, delícia que aqui inexiste, um dos grandes pratos da noite. Encantado pelas coxinhas que provou, Lowe fez as suas - e a equipe do Epice gozou: "Inglês quando faz coxinha sai croquete". O tartare de carne maturada, com ostra e tutano, foi o ponto alto do cardápio, que terminou com um signature dish bem de discípulo de Fergus Henderson: cabeça de porco grelhada.

LUIZ HORTA, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2012 | 03h11

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