Chefe da F-1 descarta corrida no Bahrein em outubro
GP estava marcada para março, mas foi remarcado devido aos protestos pró-democracia.

O chefe da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, disse à BBC que o Grande Prêmio do Bahrein, remarcado para outubro deste ano devido à violência decorrente dos protestos pró-democracia no país, não deve ser realizado.
A corrida estava marcada inicialmente para 13 de março, mas as manifestações populares e a violenta repressão que se seguiu forçaram o adiamento em fevereiro. Na semana passada, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) recolocou a prova no calendário.
"Temos esperança que possamos voltar (com a corrida) no futuro, mas é claro que ela não vai ocorrer (neste ano)", disse Ecclestone à BBC. "O calendário não pode ser refeito sem a concordância dos participantes, estes são os fatos."
As equipes escreveram uma carta à FIA na terça-feira manifestando suas objeções à volta do Bahrein ao calendário da F-1.
A decisão de realizar a prova foi tomada em uma reunião do Conselho Mundial da FIA, na última sexta-feira. A votação em favor do GP foi realizada sem quaisquer objeções.
No entanto, a FIA parece ter ignorado o artigo 66 de seu próprio código desportivo, que afirma que nenhuma correção pode ser feita nos arranjos de um campeonato já iniciado sem a concordância de todos os competidores.
Um informante com experiência dentro do círculo do automobilismo disse à BBC que considera esta não-observância ao artigo "extraordinária".
Nova votação
Tecnicamente, a decisão continua válida, e, em tese, a FIA deve realizar uma nova votação para cancelá-la.
No entanto, como a FIA não seguiu as suas próprias regras, as equipes podem simplesmente ignorar a decisão, já que a votação não pode ter efeito prático sem a sua concordância.
Isto significa que, já que as escuderias formalmente rejeitaram a remarcação da prova do Bahrein, ela não pode ser realizada neste ano. Ou seja, o GP não ocorrerá, independentemente das ações que a FIA venha a adotar.
Mais de 20 pessoas morreram na repressão aos protestos pró-democracia no Bahrein.
A FIA decidiu recolocar a corrida no calendário depois que um relatório indicou que a situação do país havia se estabilizado. O Bahrein ganhou a data de 30 de outubro, destinada anteriormente ao GP da Índia, que foi remarcada para 11 de dezembro.
Dezembro
A decisão de remarcar a corrida do Bahrein e de reorganizar o campeonato de F-1 depois de seu início levou a reações do ex-presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) Max Mosley, do piloto da equipe Red Bull, Mark Webber, e de times e terceiros sem relação com o esporte.
Segundo apurou a BBC, as objeções feitas pelas equipes à nova data para o Grande Prêmio têm a ver com questões logísticas. A carta enviada pelas escuderias à Fifa afirma que acrescentar uma corrida no calendário em dezembro seria "insustentável para os nossos funcionários."
"O motivo que levou as equipes a ficar contrariadas foi o 'fator dezembro' - é que isto é um comprometimento enorme para os rapazes que estão competindo", disse o diretor técnico da McLaren, Paddy Lowe. "Esta é a época em que eles estão de férias."
No próximo fim de semana, o circo da F-1 - assim como os seus dirigentes - seguem para o Canadá, onde será realizada a sétima corrida da temporada. Espera-se que mais discussões sobre o GP do Bahrein e sobre o calendário de 2011 ocorram na ocasião.
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