Chicago, toda a volúpia da Dish Pizza e do cachorro quente

Se você acha que a melhor pizza do mundo é a paulistana, está enganado. A melhor pizza está em Chicago. A cidade, que ficou famosa pelos seus mafiosos, como Al Capone, é o lar de pizzas impressionantes. Esqueça a pizza americana clássica, massuda e exagerada. A pizza básica é fininha, crocante e muito bem recheada e pode ser encontrada em praticamente toda esquina. Mas a iguaria máxima de Chicago é a pizza alta, ou Dish Deep Pizza, como eles chamam por lá. E o lar dessa pizza agressiva é o Giordano's. Sem brincadeira, vá com fome. Com fome mesmo.   A pizza é um atentado ao bom senso. Ela tem uns três dedos de altura.   Imagine uma espécie de torta feita com a massa de pizza. É um tipo de piscina assada, em que quantidades insanas de muzzarela se misturam de forma lasciva com muito tomate e uma espécie de salsichão composto por carne de boi ou, para quem preferir, porco.   Cada pedaço da dish deep pizza é uma explosão de sabor. O molho, pedaçudo, é vermelho forte, apurado por horas no fogão, como só as nonnas sabem fazer.   A muzzarela, branquinha e com o sal equilibrado, vem borbulhando dentro da pizza, como se sussurrasse palavras apaixonadamente obscenas. E a carne então? Feita à moda polonesa, a carne é prensada e temperada, como se fosse uma espécie de mortadela light. É muito, muito boa.   Camadas e camadas de carne, massa crocante, queijo e uma montanha de molho... é um delito calórico, mas vale cada joule. Se você for excepcionalmente corajoso na ingestão de alimentos, experimente a bruschetta da casa. Em cima de pedaços generosos de pão italiano, uma camada de tomates frescos picados de dois dedos de espessura. É de comer chorando        HOT DOG        O cachorro-quente é outra instituição de Chicago. O sanduíche é encontrado em praticamente qualquer lugar da cidade, das esquinas ao enorme estádio de beisebol local. Mas se você acha que o cachorro-quente de lá tem alguma coisa a ver com o daqui, está enganado. Nem o pão é parecido.   Para começar, em Chicago o hot-dog é servido sem maionese, purê de batatas, milho e as outras liberdades gastronômicas daqui. No sanduíche autêntico, só há espaço para cebola, picles e tomate. O pão, leve e macio, tinha uma camada generosa de semente de papoula. E nem pense em pedir catchup e mostarda... é considerado ofensa grave. No sanduíche legítimo, só relish, uma geléia temperada, meio adocicada e gosmenta, à base de pepinos.   Em nome do bom jornalismo (e da gula, é claro) fiz o sacrifício máximo e experimentei os tipos diferentes de salsicha. Todas tinham aquela casquinha crocante, que praticamente explode na boca quando mordida. A normal é muito interessante, lembra um pouco aquelas salsichas enormes (e caras) que são vendidas a granel no Brasil. A de peru era um pouco mais pesada, mas com um leve tempero de alecrim. A polonesa foi a melhor. Com um sabor forte de carne defumada, caiu muito bem. A vegetariana seguia a política do segredo. Eu não faço idéia do que tinha dentro dela e, para evitar sobressaltos, me privei de investigar. Era boa, mas nem fazia sombra frente às outras.   E não caia na conversa dos restaurantes que falam que têm o melhor cachorro-quente da cidade. Por melhores que sejam, o negócio em Chicago é comer na rua. Os carrinhos são limpos, os sanduíches baratos e a experiência, única.

28 Maio 2008 | 21h22

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