China bloqueia Twitter, Facebook e Flickr às vésperas de aniversário de protestos

Até Hotmail foi censurado na véspera do aniversário do massacre de Tiananmen em favor da democracia

Agências internacionais,

02 Junho 2009 | 15h35

Autoridades chinesas bloquearam nesta terça-feira, 2, redes sociais na internet como o Twitter, o Flickr e os serviços do Hotmail às vésperas do aniversário de 20 anos do massacre de Tiananmen em favor da democracia. A censura aos endereços na web começou há algumas semanas, quando outras ferramentas da web como os servidores de blog Blogspot, Wordpress e o portal de vídeos YouTube tiveram o acesso bloqueado.   Nesta quinta-feira, dia 4 de junho, cumprem-se os 20 anos da violenta repressão exercida pelo governo chinês contra os estudantes e trabalhadores que se manifestavam na Praça Tiananmen durante a primavera de 1989 para pedir por reformas políticas na China. O episódio foi imortalizado pela imagem de um jovem se colocando em frente a uma fileira de tanques militares, na tentativa de impedir o combate. Até hoje não é sabida a identidade e o destino desse jovem.   Usuários indignados lotaram salas de bate papo para protestar. O acesso ao Twitter começou a ser bloqueado logo depois das 17h (6h em Brasília).   "Toda a comunidade Twitter na China está explodindo com isso", disse o comentarista de tecnologia Kaiser Kuo, de Pequim. "Isso é parte da vida aqui. Se algo me surpreende, é que tenha demorado tanto."   Autoridades encarregadas de vigiar a internet ainda bloquearam centros de mensagens de mais de 6 mil sites de universidades, aparentemente para impedir a discussão sobre os sucessos de 1989. "Bloquear o Hotmail é algo importante, afetará muita gente que não reclamaria de não usar o YouTube ou o Twitter, porque o uso de correio eletrônico é essencial", afirmou um internauta identificado como Alex.   O dirigente estudantil exilado Chai Ling, em uma inusual declaração pública antecipando a data, pediu a liberdade de presos políticos, uma investigação independente dos fatos e que seja permitido o retorno de ativistas estudantis ao país. "A atual geração de líderes que não são responsáveis deveriam ter o valor de anular os veredictos" por conta dos protestos, afirmou Chai em uma declaração difundida pelo Centro de Informação dos Direitos Humanos e da Democracia, com sede em Hong Kong.   A China nunca permitiu uma investigação independente sobre o massacre de milhares de estudantes, ativistas e cidadãos pelas forças armadas. O tema ainda é considerado tabu na China continental, onde as autoridades respondem as perguntas sobre Tiananmen com declarações sobre o progresso e a prosperidade do país desde o episódio.

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