Cidade exuberante, roteiro gourmet idem; leia o relato completo dos quinze restaurantes visitados

Os sócios do Pirajá foram a 15 lugares, 5 deles pertencentes ao chef Martio Batali

28 Maio 2008 | 20h34

1. L'Atelier de Joel Robuchon   NY Four Seasons Hotel New Tork – 57 east at 57th St 212 350 6658     Os primeiros golpes recebi da loja de Paris em fevereiro passado e fui definitivamente à lona nas outras 2 vezes em que estivemos na loja de NY nesta viagem. Analisando cuidadosamente a lista dos lugares em que nos fartamos, cravamos nota 10 para o L`Atelier. Concluímos que não dá pra fazer mais do que aquilo em todos os sentidos: ambiente, comida/bebida e serviço. Se a perfeição acontece neste negócio, é lá. O programa é grandioso onde quer que você escolha sentar-se, mas largo aqui uma dica preciosa: não faça como os americanos, prefira o balcão e a experiência será completa.       Veja também: Steaks, a luta do século  Surpreendentes aromas e sabores do Vietnã; veja receita Chicago, toda a volúpia da Dish Pizza e do cachorro quente O quitute apreciado por nobres e plebeus; veja receita de Pierogi     2. Adour de Alan Ducasse     2 East 55th St at 5th Av at St Regis Hotel     O restaurante é lindíssimo e também nunca vi uma carta de vinhos como aquela (as garrafas vieram da adega do extinto AD at Essex House). Por ser do Ducasse achei que ainda tem muito que melhorar na comida. A propósito, Monsieur Ducasse inaugurou na dia 21/abril/08 uma filial do clássico bistrô parisiense Benoit, na mesma rua do Adour, só que do outro lado da 5th Ave. Vimos o lugar (60 West 55th St) já com placa na fachada e recebendo os últimos polimentos. Só não fomos conferir porque retornamos ao Brasil no dia 20.         3. The Old King Cole Bar     2 East 55th St at 5th Av at St Regis Hotel     Conhecido tradicional bar do St Regis Hotel, mas eu nunca tinha ido; ao lado e no mesmo floor do Adour, é especial por causa do grande painel pintado por Maxfield Parrish em 1906 (e que acabou de voltar de uma super-restauração que custou US$ 100 mil ao hotel, onde foi reinstalado em 2007) e para um Red Snapper (o Bloody Mary, celebrizado ali), talvez um Cosmopolitan ou um Dry Martini antes do jantar. By the way, Dry Martini é um outro capítulo para depois: uma decepção que experienciei em Manhattan quase tão grande quanto a que tive com o Harry’s Bar de Veneza.           4. BLT MKT      106 East 57th St 212 752 747 0   Grande, saborosíssima e sen-sa-cio-nal comida! Padrão de qualidade da rede BLT com ingredientes orgânicos produzidos em fazendas regionais de concepção auto-sustentável.      5. Del Posto     85 10th Av 212 497 8090     Do Batali, fui duas vezes nesta viagem, uma no "restaurantão" e outra na Enoteca (salãozinho ao lado do bar, com menu enxuto): uma aula de tudo, principalmente para quem gosta de vinho italiano como eu. Fiquei pensando que só o Rogério Fasano poderia reproduzir tudo aquilo em Terra Brasilis. Dizem que o projeto custou US$ 18 milhões.             6. Babbo     110 Waverly Place 212 777 0303     Eu já tinha ido e gostado bastante, mas agora o benchmark do Batali é mesmo o Del Posto. Continua badaladaço e impossível de reservar. Chegamos na cara dura e usamos a velha tática de pedir uma super garrafa para enfrentar a 1h50 de espera anunciada; desta feita pusemos na ponta do anzol um Barolo Bartolo Mascarello 2000. Em 11 minutos, devidamente acomodados, rodopiávamos sob nossos narizes os eflúvios de nebbiollo madura que se desprendiam graciosamente dos enormes copos de fino cristal;         7. Lupa     170 Thompson St      A cantineta do Batali. Começamos com um estonteante bolinho de ricota recheado com escarola e uma porção de frios fatiados charmosamente servidos numa tábua de pizza. A forra final foi com um bem simples e inesquecícvel spaghetti caccio & peppe, a pimenta-do-reino sem nenhum medo de ser feliz. Gente descolada em todas as mesas.       8. Bar Milano     323 3rd Av 212 683 3035     Último recém-inaugurado (há 15/20 dias) spot venue do Batali, na onda do momento: restaurante disfarçado de bar. E vai bombar já, já.       9. Bar Boulud   Outro restô de chef disfarçado de bar. Bonitinho, mas ordinariozinho; um pouco sem graça, com o desconto de termos ido no domingo à noite (esvaziou subitamente). Ponto a favor: o Fernando e o Ricardo, meus sócios, que curtem frango, disseram que foi o melhor galináceo assado que já comeram na vida!        10. Casa Mono   52 Irving Place (esquina com 17th St) 212 253 2773   Também da rede do Batali, mas aqui ele é minoritário. Quem leu Heat, do Bill Buford, sabe a história. Andy Nusser, o chef executivo do Babbo, apaixonado por tapas, decidiu dar asas ao seu próprio negócio e Batali apoiou. Tenho duas certezas: a inspiração é o insuperável Cal Pep de Barcelona e o resultado é esplêndido. Aceita uma dica? Almoço de sábado. Fundamental chegar cedo - até as 13h - para conseguir lugar no balcão de frente para a cozinha (são só 7 lugares) e se esbaldar com as delicadezas feitas totalmente na hora e ao vivo. Comande preguiçosamente 2 pratos de cada vez e passe a tarde lá. Confira o que o chef (se der sorte, será o Andy) faz com uma chapa, 3 bocas de fogão, 1 fritadeira e 1 salamandra! Show à parte: procure pela Denise, garçonete supercompetente e simpática. Brasileira de Porto Alegre, lá há 18 anos, estuda pós-graduação em antropologia na Columbus e fala português com sotaque bem carregado. Ao lado, de parede, na mesma linha e também deles, está o Bar Jamón.         11. Peter Luger   178 Broadway Brooklyn, N.Y. 718 387-7400   Quem sou eu para apresentar o Peter Luger Steak House? Mas vale uma nota: quem me conhece sabe que, a não ser no caso daquelas receitas clássicas de longo cozimento em panela, não sou muito de comer carnes, embora isso tenha mudado um pouco pelo convívio com meus sócios nestes últimos quase 15 anos. Fui no embalo da galera para conhecer a casa e preencher mais uma lacuna do abecedário gastronômico. O resultado foi que simplesmente pirei com o tal do porterhouse. Comeria todos os dias, pelo menos meia peça. O quê que é aquilo?     12. Raoul’s   180 Prince St - SOHO 212 966 3518   Este é o refúgio certo de todas as idas a NY. Tem cara de bar americano antigo na parte frente, mas trata-se de um excelente restaurante francês. A graça é sentar nos fundos e para isso ter que atravessar a cozinha em pleno funcionamento. Depois é só cair na qualidade impecável dos pratos - entre os melhores steak au poivre do mundo, segundo Beto Ranieri - dos vinhos e do serviço. Bom como sempre, a surpresa desta vez veio na saída: uma free auction oferecida por um ótimo tenor entre as mesas do botequinho mal freqüentado ali ao lado. Tomamos mais uma taça de vinho (ruim pra dedéu), imploramos por E Lucevan le Stelle do Puccini e fomos dormir sem estrelas, mas felizes como nunca.     13. Morandi   211 Waverly Place   É o Pastis à italiana do detalhista restaurateur David Mc Nelly. Uma leitura moderna e bem feita da taverna cantinesca sobre a mesmíssima plataforma de sucesso de suas outras casas. Mais pra ver e ser visto do que pela comida. São Paulo merece um lugar assim, com boa comida, claro.     14. The Spotted Pig   314 W 11th St at Greenwich St - West Village 212 620 0393   Um bistrozinho incrível com cara de boteco e comida anglo-italiana moderninha. Bom à beça, imperdível (de novo aquela vontade de ser o dono...). A chef e também sócia, April Bloomfield, usa ingredientes frescos e faz comida simples com apresentação e gosto sacados. A peça de resistência do cardápio é um tal de Sheep's Ricotta Gnudi with Brown Butter & Sage, simplesmente um Senhor de um nhoque ao molho de manteiga e sálvia. Chegamos pra almoçar sem reserva, porque eles não aceitam. Entramos na fila, mas como o bote é bem concorrido, logo percebemos que cairíamos no late menu (praticamente hambúrguer, bem feitíssimo, aliás) - e tratamos de pedir pequenas porções do delicioso e levíssimo gnudi, além de 2 magnuns de Barbera Braida Bricco dell’Ucellone. Gula aplacada, "harmonizamos" 3 hambúrgueres (metade pra cada um) com 2 garrafas do velha guarda Barolo Brunate Giuseppe Rinaldi 1998;         15. e já que falei de Hambúrguer... No meio dessa esbórnia toda houve várias e várias sessões de hambúrguer, afinal também estamos nesse segmento, né? Conclusão? O Corner Bistro não resistiria aberto a nem mesmo um telefonema da vigilância sanitária paulistana, mas ainda executa o melhor "xissa" de Manhattan. Deixo os comentários e o mapa do hambúrguer de NY para o Ricardo Garrido.    

Mais conteúdo sobre:
nova york pirajá

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.