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Cidinha acusa Cunha de fazer negócio com Abadía

Deputado do PMDB do Rio teria negociado casa em condomínio de luxo com traficante

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FABIANA CIMIERI ,
Agencia Estado

10 Outubro 2007 | 22h36

A deputada estadual Cidinha Campos (PDT-RJ) fez um discurso na Assembléia Legislativa do Rio acusando o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de ter vendido ao traficante Juan Carlos Ramírez Abadía, por US$ 800 mil (cerca de R$ 1,6 milhão), uma casa em Angra dos Reis, no litoral sul fluminense. Segundo a deputada, a informação de que Cunha seria o verdadeiro proprietário do imóvel foi repassada a ela pelo advogado do narcotraficante, Sergio Alambert. Ainda segundo Cidinha, o advogado teria contado que Abadía achou que a casa ficava num local muito visado, já que o condomínio do Frade é ponto de encontro da alta sociedade carioca. Cunha teria então recomprado a casa por US$ 700 mil, embolsando US$ 100 mil com a revenda. "Um deputado federal negocia com o maior traficante do mundo duas vezes: uma para vender a casa e outra, depois, para comprar a mesma casa. Fez sem querer? Ele não sabia? Bom, ele sabia que tinha que declarar, pois um deputado federal não pode comprar uma casa - ou vendê-la por 800 mil dólares - e não declarar ao Imposto de Renda", discursou a deputada Cidinha Campos, no plenário da Assembléia. O advogado de Abadía, de acordo com ela, teria dito que o deputado Eduardo Cunha prestou depoimento, em sigilo, nesta semana na Polícia Federal de São Paulo. Alambert também teria confirmado que o advogado de Cunha está acompanhando todo o processo do narcotraficante na 6ª Vara da Justiça Federal de São Paulo. O contrato de venda, e depois, de revenda, teria sido de gaveta (sem registro em cartório). Segunda a deputada, o imóvel estaria, oficialmente, em nome da empresa Gape Distribuidora, que pertence a Alexandre D''Thuin da Cunha Gomes. Ele é filho do fiscal da receita Francisco Roberto da Cunha Gomes, que recentemente foi investigado numa CPI da Assembléia que apurou a queda na arrecadação do ICMS no Estado. De acordo com a deputada Cidinha Campos, Francisco Cunha Gomes seria testa-de-ferro de Eduardo Cunha. Ela disse suspeitar de que eles possam ser parentes - "já recebi uma carta dizendo que são primos" e considerou "estranho" que tivessem o mesmo advogado, Carlos Kenigsberg. O deputado Eduardo Cunha, em entrevista hoje por telefone, negou com veemência todas as afirmações: disse que nunca comprou nem recomprou casa em Angra, que sequer tem condições de ter casa nesse balneário. Ele também negou ter prestado depoimento à Polícia Federal. "Tenho foro privilegiado e posso escolher dia, hora e local, mas nunca depus sobre esse assunto. Renuncio a meu mandato se provarem que eu fui depor", afirmou. Cunha confirmou conhecer o advogado Kenigsberg, mas negou ter qualquer relação com o fiscal Francisco Cunha Gomes. "Sei lá se conheço, a única pessoa que conheço é o advogado, que, por acaso, também era advogado dele".

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