Cientistas dos EUA inventam o ‘Photoshop dos vídeos’

As duas fotos ao lado não são fotos, mas trechos diferentes de um vídeo. O câmera fez uma panorâmica do jardim de violetas e margaridas mas não percebeu a placa "Proibido Estacionar" (em inglês). Solução? Retirar a placa manipulando o vídeo no computador. Parece improvável, mas, sim, isso já é possível. O vídeo das flores (http://is.gd/1t9s) faz parte da demonstração da pesquisa "Usando Fotografias para Melhorar Vídeos de uma Cena Estática", apresentado recentemente na University of Washington por um grupo de pesquisadores liderados pelo cientista da computação Pravin Bhat. Na semana passada, quase 500 blogs postaram o vídeo, de acordo com o Google Blog Search. A maioria deles se referiu ao software, com razão, como o "Photoshop do vídeo". É possível ajustar brilho e contraste das imagens, aplicar texturas diferentes a uma parede, por exemplo, retirar elementos da cena e corrigir a movimentação da câmera. A tecnologia ainda não é comercial (não tem nem nome), mas impressiona pelo potencial de dar ao usuário comum o poder pleno sobre os vídeos digitais. O Photoshop fez a mesma coisa com as fotografias e, apesar de ser um produto da Adobe, acabou se tornando verbo. Só que fotos, por serem estáticas e em 2D, parecem mais simples de se manipular. O que o experimento de Washington faz é justamente transformar vídeos numa seqüência gigantesca de fotos – o mesmo que um filme ou película fazia. As imagens são traduzidas em três dimensões e, a partir daí, é só editá-las em conjunto com máscaras, pincéis e carimbos, ferramentas conhecidas do Photoshop. O potencial do 3D no mundo dos vídeos pode ser comprovado também pela empresa Earthmine (www.earthmine.com), que produz material parecido ao Google Street View. Eles querem ter um banco de dados com todas as ruas do planeta. Para isso, filmam com uma câmera acoplada a um carro e programam as imagens para serem manipuláveis com o mouse. Dá para andar pelas ruas de San Francisco pelo computador – e ainda olhar para cima! Ao mesmo tempo que revoluciona para o bem, as tecnologias 3D podem ser perigosas, por exemplo, por causa do monitoramento constante. Algumas questões surgem: a justiça está preparada para lidar com a superexposição? Índoles duvidosas conseguirão manipular vídeos com interesses políticos ou violentos? Quanto há de senso crítico na sociedade para evitar abusos? Mais uma vez, a tecnologia esbarra na cidadania.

Lucas Pretti,

25 Agosto 2008 | 00h00

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