Gilmar Gomes/Divulgação
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Clima extremo reduz safra 2014

Frio de congelar e calor de rachar no Rio Grande do Sul. Resultado: atraso no ciclo das videiras e uma estimativa preliminar de redução de 20% na produção de vinhos nacionais. E ainda falta colher as uvas de longa maturação...

Marcel Miwa, Especial para o Estado / SERRA GAÚCHA, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2014 | 02h15

A colheita brasileira ainda não terminou, mas a maioria das vinícolas do Rio Grande do Sul - que concentra 90% da produção nacional de vinhos - já está fermentando suas uvas para a produção de espumantes, brancos e alguns tintos, como os de Pinot Noir, Merlot e Gamay. Falta colher as uvas tintas de longa maturação, como a Cabernet e a Tannat, mas já é possível estimar uma redução de 20% na produção de vinhos nacionais.

Foi uma safra atípica por causa do clima: o inverno excessivamente rigoroso e o verão com seguidos recordes de temperatura atrasaram de 15 a 20 dias o ciclo das videiras na Serra Gaúcha. Como explica o enólogo Dirceu Scottá, da Vinícola Dal Pizzol, a videira demorou mais que o habitual para sair de seu estado de dormência e lançar os primeiros brotos. O calor foi tão intenso que provocou nas plantas o mesmo efeito do frio, ou seja, interrompeu o ciclo de maturação.

Com isso, além da ocorrência de granizos e geadas entre novembro e janeiro, o primeiro resultado visível da safra 2014 do vinho brasileiro é a redução da quantidade. As zonas de Pinto Bandeira e Campos de Cima da Serra foram as mais prejudicadas. Em Pinto Bandeira, os produtores estimam perdas que variam entre 30% e 60%.

"Tivemos muito granizo no fim de dezembro, pensei que não teria safra este ano", disse a enóloga Roberta Benedetti, da Vinícola Lovara.

E o tempo deve voltar a atrapalhar a safra. A partir da segunda metade de março, a previsão é de chuvas fortes em todo o Rio Grande do Sul - o que põe em risco a colheita da Cabernet Sauvignon, uma das variedades mais plantadas na região, e também da Tannat.

O presidente da Cooperativa Vinícola Garibaldi, Oscar Ló, diz temer os prejuízos dos produtores que trabalham com essas variedades.

Diferentemente de Argentina e Chile, o Brasil (e o Uruguai) tem clima instável, o que torna os resultados das safras variáveis, como acontece em Bordeaux e na Borgonha. Desta vez, mais do que nunca, os bons resultados na garrafa vão depender do talento dos enólogos para reverter condições adversas.

Em visita à região, a presidente Dilma prometeu instrumentos que facilitem o escoamento dos estoques de uva e vinho e citou o novo preço mínimo de R$ 0,63 por quilo de uva, que vai vigorar na safra 2014/2015, graças à publicação, na semana passada, do decreto que regulamenta a Lei do Vinho.

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