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Com colorido e alegria, Mocidade relembra carnavais históricos

Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

03 Março 2014 | 22h 38

Escola cantou a vida do carnavalesco Fernando Pinto, que revolucionou o carnaval carioca

RIO - O colorido e a alegria da Mocidade Independente de Padre Miguel animaram o público nas arquibancadas, mas talvez não sejam suficientes para convencer os jurados. A escola cantou a vida do carnavalesco Fernando Pinto, que com suas alegorias a fantasias, revolucionou o carnaval carioca. Paulo Menezes tentou, mas não conseguiu reproduzir os desfiles históricos da escola.

No fim do ano passado, o presidente Paulo Vianna renunciou ao cargo e abriu espaço para Wandyr Trindade comandar a Mocidade com o apoio de Rogério Andrade, sobrinho do bicheiro Castor de Andrade. O dinheiro que Andrade injetou na escola para terminar o enredo de Menezes no prazo não garantiu bons acabamentos. Em alguns carros e alegorias era possível ver arames, cola e paetês fora do lugar.

Problemas. Na concentração, a segunda parte do carro abre-alas teve problemas para entrar na avenida e os componentes subiam no carro já em movimento. Menezes prometeu um carnaval como se tivesse sido feito pelo próprio Fernando Pinto. No entanto, a releitura do enredo Ziriguidum 2001, campeão em 1985, na comissão de frente e no abre-alas foi o contrário da versão original, futurista e surpreendente para a época.

Mas os problemas da Mocidade não desanimaram o público. A bateria dos mestres Bereco e Dudu agradou ao misturar samba, frevo e maracatu. Nas longas paradas, o público respondeu cantando e aplaudindo o samba. As alas coreografadas e o segundo casal de mestre-sala e porta bandeira mesclaram passos de samba com os ritmos pernambucanos e foram aplaudidos de pé.

Mestre-sala e porta-bandeira. A fantasia do primeiro casal, Rogerinho e Lucinha Nobre, também foi uma releitura de Ziriguidum 2001 e foi "psicografada pelo Fernando (Pinto)", segundo o carnavalesco Paulo Menezes. Os grandes destaques da noite foram o carro em homenagem ao artesão Vitalino - dos bonecos de barro de Pernambuco - que trouxe um beijaço gay para a avenida.

Rainha. Estreante no cargo de rainha de bateria, a atriz Mariana Rios também brilhou. Nervosa, ela passou o dia rezando para que tudo desse certo. "Não sei o que dá mais nervosismo, estrear na televisão ou na Sapucaí. Mas esta noite só quero que a escola brilhe. Pedi dicas para a Monique (Evans) e ela me disse para decorar o samba". Mesmo sem samba no pé, Mariana interagiu com a bateria e foi aplaudida pelo público.

Para que a veterana Monique Evans desfilasse este ano, Paulo Menezes precisou lançar a campanha "Volta, Monique!", com o apoio da comunidade. A apresentadora foi a primeira rainha de bateria da

Sapucaí, em 1985, com a Mocidade. Evangélica e com problemas nos joelhos, ela abriu uma exceção para homenagear Fernando Pinto e ser homenageada pela Mocidade.

No carro abre-alas, 10 mulheres sem silicone passaram fantasiadas com uma releitura daquela usada por ela há 30 anos. "Estou tão nervosa quanto na minha estreia na Sapucaí, mas dessa vez aprendi a lição e vim com samba no pé e na ponta da língua". Monique contou que quando desfilou em Ziriguidum 2001 não sabia o samba-enredo e levou uma bronca da diretoria no desfile das campeãs.