Com restrição a caminhões, São Paulo tem pouco trânsito
Prefeitura pretende tirar 85 mil caminhões do centro expandido e reduzir congestionamento em até 17%
No primeiro dia da nova regra para circulação de caminhões no centro expandido da cidade de São Paulo, o congestionamento estava abaixo da média na manhã desta segunda-feira, 30. Às 9 horas, o índice atingiu 49 km, o equivalente a 5,9% dos 835 km monitorados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A média para o horário é de 15,2%. As vias da zona sul e do centro respondiam por mais da metade da lentidão registrada. Segundo a CET, a tendência é que a situação permaneça estável. O início das férias escolares colaborou para a baixa média.
Veja também: Restrições a caminhões em SP começam hoje Rodovias apresentam lentidão na chegada à capital paulista
Hoje de manhã, o Corredor Norte-Sul (formado pelas Avenidas 23 de Maio, Rubem Berta e Moreira Guimarães) tinha a maior fila de engarrafamento da cidade, com 4,4 km, a partir da Praça da Bandeira, no sentido do Aeroporto de Congonhas. Na Marginal do Tietê, havia morosidade por 3,2 km na pista expressa, entre as Pontes do Piqueri e Nova Fepasa, no sentido da Rodovia Ayrton Senna. A Avenida dos Bandeirantes estava congestionada por 2,9 km no sentido da Marginal do Pinheiros, do Viaduto Arapuã até a Alameda dos Nhambiquaras.
Multas
Dezesseis caminhoneiros receberam multas entre 5 e 7 horas desta segunda-feira, 30, por desrespeitarem a nova regra para circulação de caminhões no centro expandido de São Paulo. O número foi anunciado pelo secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes. Por volta das 10h30, ele o prefeito Gilberto Kassab (DEM) acompanhavam uma blitz organizada entre as Ruas Teodoro Sampaio e Henrique Schaumann, na zona oeste, para fiscalizar o cumprimento da restrição. Segundo a secretaria, um segundo balanço das infrações deve ser divulgado à tarde. Mais de 500 fiscais participaram da operação.
As novas medidas
Entre 5 e 21 horas, os Veículos Urbanos de Carga (com até 6,3 metros de comprimento) devem cumprir um rodízio. Veículos com placas pares podem trafegar na Zona Máxima de Restrição, de 100 quilômetros quadrados, em dias pares, e os com placas ímpares, em dias ímpares. A Prefeitura de São Paulo pretende tirar de circulação 85 mil caminhões do centro expandido da cidade.Segundo o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, a medida reduzirá de 15% a 17% o congestionamento da capital. Nas contas dos técnicos da secretaria, um caminhão parado ou em movimento ocupa, em média, 50 metros quadrados de área e um veículo urbano de carga (VUC) , 25 metros quadrados. Para mostrar as vantagens da medida, a secretaria compara esses dados com o espaço ocupado por um carro: 15 metros quadrados
Protestos
O Sindicato dos Condutores em Transportes Rodoviários de Cargas Próprias de São Paulo promete reunir 200 caminhões às 11 horas para circular lentamente pelas principais vias da cidade. Já a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM) pretende prejudicar o trânsito apenas seguindo as regras. Como não podem parar no acostamento das estradas, por conta da fiscalização da Polícia Rodoviária, os caminhões vão esperar o horário permitido no acostamento das Marginais. "Como são muitos, alguma faixa será ocupada", afirmou o presidente da entidade, José Lopes. Efeitos
Os impactos positivos e negativos da medida podem ser maquiados por um detalhe: hoje começam as férias escolares. "Naturalmente, o trânsito fluirá melhor", disse o consultor em transporte Horácio Figueira. E, para evitar constrangimentos, dessa vez o rodízio não será suspenso. No ano passado, a Prefeitura liberou os veículos da restrição nesta época do ano, mas os congestionamentos recordes fizeram o Kassab retomar o rodízio antes do previsto.
Os especialistas acreditam que, pelo menos nos primeiros meses, a restrição aos caminhões vai aliviar o trânsito. Mas nem toda a cidade deve sentir os impactos. "Os moradores do Ipiranga vão notar uma melhora maior do que quem vive nos Jardins, por exemplo. Mas toda a cidade vai ganhar", disse o engenheiro e professor da Escola Politécnica da USP Jaime Waisman. Dos cinco especialistas ouvidos pela reportagem, ele foi o único a defender plenamente a medida.
Tanto para Horácio Figueira quanto para o ex-secretário de Transportes Adriano Branco, a restrição aos caminhões não resolve o problema do trânsito porque vai facilitar ainda mais a vida de quem anda de carro. "Vai sobrar mais espaço. Quem não usava o automóvel, vai usar. Em poucos meses, vai estar tudo na mesma", disse Figueira.
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