Leandro Saad/AE
Leandro Saad/AE

Conselho aprova área de proteção em S. Sebastião

Agora, a APA Baleia-Sahy precisa ser ratificada pela Câmara da cidade, localizada no litoral norte paulista

REGINALDO PUPO, ESPECIAL PARA O ESTADO, SÃO SEBASTIÃO , O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2012 | 03h03

O Conselho Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de São Sebastião (Condurb), no litoral norte de São Paulo, aprovou a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) Baleia-Sahy. Ambientalistas acreditam que a medida resultará no uso sustentável da área, com atividades voltadas ao ecoturismo, à extração de materiais para artesanato com plano de manejo sustentável e controle de poluição, além de uma fiscalização mais efetiva para proteger a fauna e a flora.

A criação da APA depende da aprovação da Câmara Municipal, que deve votar a matéria ainda neste ano.

Cercada pelo Parque Estadual da Serra do Mar, entre as Praias da Baleia e Barra do Sahy, no litoral norte de São Paulo, a região é uma das mais valorizadas do Estado e vem sendo degradada pela construção de casas e condomínios de luxo, muitos embargados judicialmente porque foram erguidos em Áreas de Preservação Permanente (APPs).

"O local é único. Tem importância ambiental relevante e precisa ser protegido imediatamente. Pudemos constatar que há muitas ameaças naquele bioma, principalmente por haver armadilhas de caçadores em trilhas abertas e pela intensa pressão imobiliária", avalia o secretário municipal do Meio Ambiente, Eduardo do Rego. Ele lembra que há também loteadores clandestinos, pessoas "que abrem ruas e constroem barracos, comprometendo até questões de saneamento ambiental".

Rego afirma que após a criação da APA Baleia/Sahy haverá condições de empossar gestores, apresentar um plano de manejo, iniciar um mapeamento dos recursos naturais e dos pontos de visitação e elaborar um zoneamento. Segundo ele, no local será possível "conciliar tudo com a inserção de artesanato de caixeta e taboa e o ecoturismo".

Para Fernanda Carbonelli, da ONG Movimento Preserve o Litoral Norte, que encomendou um estudo para embasar o projeto, "o desenvolvimento sustentável vai propiciar uma segunda fonte de renda às comunidades tradicionais e aos pescadores que ali vivem, além de possibilitar a visitação do mangue como um berçário para aulas socioambientais".

Estudo. Segundo o engenheiro agrônomo André Waetge, que elaborou o estudo da ONG, não existem áreas protegidas formadas por manguezais, brejo de restinga ou floresta paludosa em São Sebastião. "Com a criação da APA, estaremos assegurando que essas formações florestais continuem exercendo suas funções ambientais para o equilíbrio da fauna aquática e, consequentemente, para a manutenção da pesca litorânea e oceânica", frisa.

Ele explica que, como a maior parte da área delimitada para criação da unidade de conservação está às margens do Rio Preto e em suas áreas de alagamentos sazonais, há a possibilidade de formação de um corredor ecológico, unindo toda s planície inundada situada na zona de influência das marés. Segundo Waetge, nenhum dos parques locais possui a capacidade de unir fragmentos florestais tão diversificados. Ele também diz que a APA preservará 12 espécies de mamíferos e 84 de aves, das quais 14 somente existem na Mata Atlântica.

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